O Partido Liberal (PL) protocolou nesta terça-feira (30) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover discriminação e discurso de ódio contra a população de Santa Catarina durante um evento realizado na semana passada em Itajaí. Além da suposta prática discriminatória, o partido também sustenta que o presidente fez propaganda eleitoral antecipada durante o discurso.
O Palácio do Planalto rejeitou as acusações e afirmou que as declarações de Lula ocorreram em defesa da igualdade racial e do combate ao preconceito, sem qualquer intenção de ofender a população catarinense.
Discurso motivou ação
Durante agenda em Itajaí, onde visitou um estaleiro responsável pela construção de embarcações para a Petrobras, Lula afirmou que a população não poderia permitir que o racismo prevalecesse em Santa Catarina.
“Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas pela síndrome de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre”, declarou o presidente.
Na sequência, Lula também criticou ideias de superioridade racial.
“Não tem porque um cara que é branco é melhor do que o que é negro, o cara que é nordestino é pior do que o do Sul do país. Que história que é essa? A gente não aceita. Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou”, afirmou.
Alegações do PL
Na representação encaminhada ao TSE, o PL sustenta que as declarações associam Santa Catarina ao racismo, à supremacia branca e à discriminação, o que, segundo o partido, configuraria discurso de ódio contra os moradores do estado.
A legenda também argumenta que Lula teria realizado propaganda eleitoral antecipada ao fazer comparações políticas e defender ações de seu governo durante o evento.
Governo rebate acusações
Em nota, a Presidência da República afirmou que o discurso foi retirado de contexto e tinha como objetivo defender a igualdade racial e combater qualquer forma de discriminação.
Segundo o Planalto, Lula “manifestou, de forma reiterada, seu profundo respeito pela população de todos os estados brasileiros, reconhecendo a diversidade, a riqueza cultural e a importância de cada região para o desenvolvimento do país”.
O governo também negou que tenha havido propaganda eleitoral antecipada, afirmando que a visita a Santa Catarina integrou uma agenda institucional do presidente da República e ocorreu dentro de suas atribuições constitucionais.
Reação em Santa Catarina
As declarações de Lula também provocaram reação do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), que afirmou que o presidente visita o estado “para falar mal da gente” e “não entrega nada”.
O governador chegou a acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR), acusando Lula de xenofobia. O governo federal nega essa interpretação e afirma que o discurso teve como foco a defesa da igualdade e o combate ao racismo.






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