Pix é defendido nos EUA e críticas de Trump são contestadas em audiência

Audiência do USTR discutiu investigação comercial contra o Brasil, que também envolve tarifas, comércio digital e propriedade intelectual

O sistema de pagamentos instantâneos Pix foi defendido por especialistas brasileiros e americanos durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (6) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Os participantes contestaram as críticas feitas pelo governo de Donald Trump, que acusa o Banco Central do Brasil de favorecer o Pix de forma discriminatória em relação a outros meios de pagamento.

A audiência faz parte da investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Além do Pix, o processo também aborda temas como tarifas sobre produtos brasileiros, etanol, propriedade intelectual, comércio digital e questões ambientais.

Pix foi apresentado como infraestrutura pública

Durante a audiência, o especialista em meios de pagamento Vinícius Nunes Pinto, que participou da implementação do Pix e atualmente atua no setor de tecnologia nos Estados Unidos, afirmou que o sistema deve ser visto como uma infraestrutura pública voltada à modernização do mercado financeiro.

Segundo ele, o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu custos para consumidores e empresas e impulsionou a digitalização da economia brasileira, permitindo que milhões de pessoas utilizassem serviços de companhias internacionais, incluindo empresas americanas dos setores de tecnologia, comércio eletrônico e streaming.

Pinto também comparou o sistema a uma estrada, destacando que sua função é permitir a circulação de transações e estimular a atividade econômica.

Americanos também defenderam o sistema

A representante da organização americana Public Citizen, Melinda St. Louis, afirmou que o Pix funciona como uma infraestrutura pública digital, comparável às redes de energia elétrica, transporte ou à própria moeda emitida pelo Estado.

Ela argumentou que empresas americanas continuam autorizadas a operar no mercado brasileiro e citou o Google como um dos principais iniciadores de transações dentro do sistema de pagamentos instantâneos.

Segundo a especialista, o objetivo do Pix sempre foi ampliar a concorrência e facilitar o acesso da população aos serviços financeiros.

Especialistas defendem cooperação

Outro participante da audiência, o economista Gustavo Pessoa, afirmou que eventuais debates sobre a governança de sistemas públicos de pagamento não justificam a adoção de medidas comerciais, como tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

Ao final de sua apresentação, Vinícius Nunes Pinto propôs uma aproximação entre os dois países por meio da integração entre o Pix e o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

Segundo ele, a interoperabilidade entre as duas plataformas poderia reduzir custos, facilitar transações internacionais e fortalecer as relações comerciais entre empresas brasileiras e americanas.

Debate continua nesta terça-feira

As audiências públicas promovidas pelo USTR prosseguem nesta terça-feira (7). Entre os participantes esperados está o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou que pretende defender o Pix durante sua manifestação.

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