O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) chorou durante reunião do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que analisou representação contra ele e outros parlamentares por ocuparem a Mesa Diretora da Casa. Em uma sessão que se estendeu por cerca de nove horas, o parlamentar afirmou estar enfrentando “o pior dia” de sua vida, chegando a comparar a situação com o período em que esteve preso. Os parlamentares tiveram seus mandatos suspensos por 60 dias.
“Hoje está sendo o pior dia da minha vida. Nem minha prisão foi tão dolorosa. Eu preferia voltar para a cadeia hoje se fosse para manter essas pessoas que precisam trabalhar”, declarou, referindo-se aos assessores. Em outro momento, emocionado, mencionou dificuldades enfrentadas por funcionários de seu gabinete: “Ao meu redor existem famílias. Eu tenho um funcionário que tem um filho de espectro autista que depende desse salário para viver”.
Relatório aponta quebra de decoro
O parecer do relator, deputado Moses Rodrigues (União-CE), concluiu que houve conduta incompatível com o decoro parlamentar. Segundo ele, não é possível classificar o episódio como um protesto político regular ou manifestação legítima. O documento destaca que os parlamentares extrapolaram limites ao ocupar a Mesa Diretora durante sessão do plenário em 5 de agosto de 2025.
Além de Zé Trovão, também foram alvo das representações os deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS).
Defesa nega ilegalidade e cita motivação política
Em sua defesa, Zé Trovão alegou estar sendo vítima de injustiça por atuar em favor de seus eleitores. Segundo ele, a ocupação da Mesa não teve intenção de interromper o funcionamento da Casa, mas sim pressionar pela anistia de condenados pelos atos de 8 de janeiro.
“Não houve, em momento algum, intenção por parte dos representados de incitar violência ou atentar contra a ordem democrática. A manifestação foi totalmente pacífica”, afirmou em documento apresentado ao Conselho. Já Van Hattem sustentou que não há ilegalidade em ocupar uma cadeira destinada a parlamentares, enquanto Pollon argumentou que a ação está protegida pela imunidade parlamentar e não atingiu grau de gravidade que justificasse punição.
Episódio ocorreu após decisão do STF
A ocupação da Mesa Diretora ocorreu em meio a tensões políticas após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante o episódio, Van Hattem chegou a impedir que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumisse a cadeira principal.
O caso gerou desgaste na condução da Casa e levou à abertura de processos disciplinares. À época, Motta chegou a cogitar a suspensão cautelar dos envolvidos em rito acelerado. Agora, com o avanço do processo no Conselho de Ética, o desfecho depende das próximas etapas recursais e da votação em plenário.






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