PGR avalia rejeitar nova delação de Daniel Vorcaro e cobra provas para avançar em acordo

Procuradoria acompanha posição da Polícia Federal e considera que colaboração do ex-dono do Banco Master ainda precisa apresentar elementos inéditos e comprovação documental

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também estuda rejeitar a nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Embora ainda não tenha tomado uma decisão definitiva, o órgão analisa os termos encaminhados pela defesa do ex-banqueiro e pretende se manifestar nos próximos dias.

A avaliação ocorre em paralelo à da Polícia Federal, que, segundo informações divulgadas pela imprensa nesta terça-feira (9), já caminha para recusar a segunda versão da delação apresentada por Vorcaro. Nos bastidores, segundo o jornal Folha de S. Paulo, investigadores entendem que a proposta ainda enfrenta obstáculos importantes para atender aos requisitos exigidos em acordos de colaboração.

Necessidade de comprovar os relatos

Um dos principais pontos discutidos por investigadores da PF e da PGR é a necessidade de corroborar as informações apresentadas pelo ex-banqueiro. A avaliação é que não basta relatar fatos; é preciso apresentar provas que sustentem as acusações e permitam o avanço das investigações.

Como exemplo, investigadores apontam que Vorcaro precisaria fornecer documentos internos do Banco Master para comprovar parte dos relatos que pretende incluir na colaboração. O desafio, porém, é ampliado pelo fato de o empresário estar preso e pelo Banco Central ter decretado a liquidação da instituição financeira em novembro do ano passado.

Segundo pessoas envolvidas nas negociações, a obtenção e a análise desse material demandam tempo, o que levou as autoridades a manterem as conversas abertas mesmo após a primeira proposta ter sido considerada insuficiente.

O que falta para a delação avançar

Além da comprovação dos fatos narrados, autoridades apontam outros critérios considerados fundamentais para a celebração de um acordo.

Entre eles está o chamado ineditismo das informações. Investigadores avaliam que a colaboração precisa trazer fatos novos ou caminhos investigativos ainda não explorados pelas autoridades. Outro ponto relevante envolve a devolução de recursos supostamente desviados.

Nas negociações, PF e PGR têm defendido que Vorcaro apresente uma proposta robusta de ressarcimento financeiro. Segundo informações já divulgadas, as autoridades discutem a devolução de cerca de R$ 60 bilhões que teriam sido desviados em fraudes relacionadas ao Banco Master.

Temas sensíveis ganharam espaço na nova proposta

As primeiras versões da delação foram entregues em maio, mas receberam avaliações negativas de investigadores. Um dos motivos foi a ausência de temas que já estavam no radar das autoridades.

Entre os assuntos que passaram a ser incluídos nas negociações posteriores estão a relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira e o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As investigações sobre Ciro Nogueira já haviam avançado no âmbito da Operação Compliance Zero, enquanto mensagens divulgadas pela imprensa apontaram a participação de Vorcaro no financiamento da produção cinematográfica após solicitações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro.

Negociações continuam

Apesar da tendência de rejeição, as tratativas ainda não foram encerradas. A PGR mantém a análise do material entregue pela defesa e pode decidir pela continuidade das negociações, mesmo que a Polícia Federal se manifeste contrariamente.

Nos bastidores, integrantes das investigações consideram que uma eventual rejeição conjunta entre PF e PGR seria o cenário mais provável e também o mais alinhado institucionalmente.

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