A Polícia Federal rejeitou o acordo de delação premiada apresentado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A proposta vinha sendo negociada com a PF e com a Procuradoria-Geral da República, mas enfrentava forte resistência nos bastidores das investigações.
Segundo investigadores envolvidos no caso, Vorcaro não apresentou informações consideradas relevantes o suficiente para justificar os benefícios previstos em um acordo de colaboração premiada.
A avaliação interna é que os elementos entregues pelo ex-banqueiro não acrescentaram fatos novos às provas já reunidas pela investigação.
Resistência aumentou
De acordo com pessoas que acompanham o caso, a possibilidade de reversão da decisão é considerada remota neste momento, embora formalmente Daniel Vorcaro ainda possa tentar reabrir negociações apresentando novos elementos.
Um dos principais pontos levantados pelos investigadores é que o empresário não teria admitido, nos anexos apresentados à PF e à PGR, fatos que já apareceriam em aparelhos celulares apreendidos durante a investigação.
Além disso, autoridades avaliam que Vorcaro não cumpriu os critérios de boa-fé exigidos em acordos de colaboração.
Segundo integrantes da investigação, o ex-banqueiro teria tentado justificar parte dos atos investigados, enquanto as regras da delação premiada exigem que o colaborador reconheça integralmente os ilícitos dos quais participou ou tenha conhecimento.
Disputa sobre valores
Outro ponto que gerou forte resistência foi a proposta financeira apresentada pelo empresário.
Segundo informações da investigação, Daniel Vorcaro teria oferecido devolver cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos.
No entanto, investigadores da PF e integrantes da PGR defendem que o valor supostamente desviado em fraudes ligadas ao Banco Master chegaria a aproximadamente R$ 60 bilhões, além da necessidade de ressarcimento em prazo menor.
A divergência sobre os valores e as condições do acordo acabou ampliando o impasse entre as partes.
Caso amplia crise
O caso envolvendo o Banco Master se tornou um dos temas mais sensíveis do setor financeiro e político nas últimas semanas.
As investigações avançaram após a apreensão de celulares e documentos considerados estratégicos para apurar possíveis fraudes financeiras e movimentações suspeitas ligadas ao grupo.
Nos bastidores de Brasília, o episódio também passou a gerar impactos políticos após o nome de Daniel Vorcaro surgir em meio a discussões envolvendo lideranças partidárias e pré-candidaturas para 2026.
A rejeição da delação é vista por investigadores como um sinal de endurecimento das autoridades diante das negociações de colaboração premiada em casos de grande impacto financeiro.






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