PF mira desembargador e deputado do PL em operação contra venda de sentenças

Operação Gemini aprofunda apurações sobre suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, nova fase das investigações que apuram um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). Entre os alvos da ofensiva estão o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL), que tiveram endereços ligados a eles alvo de buscas realizadas por agentes federais.

A ação busca reunir novas provas e aprofundar a apuração sobre a suposta estrutura que teria sido utilizada para comercializar decisões judiciais e movimentar recursos de origem suspeita. Ao todo, a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e medidas de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático contra seis investigados.

A reportagem procurou o magistrado e o parlamentar para comentar as diligências realizadas nesta segunda-feira. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

Investigação teve origem em apurações anteriores

As suspeitas envolvendo o desembargador Dirceu dos Santos ganharam força em março deste ano, quando ele foi afastado de suas funções por decisão judicial após o avanço das investigações conduzidas pela Corregedoria Nacional de Justiça e pela Polícia Federal.

Segundo os investigadores, há indícios de que o magistrado teria operado, dentro de seu gabinete, um esquema voltado à venda de sentenças judiciais, contando com a participação de empresários e advogados.

Na ocasião, equipes da Corregedoria Nacional de Justiça e da Polícia Federal realizaram buscas na sede do Tribunal de Justiça de Mato Grosso para coletar documentos, extrair arquivos digitais e realizar o espelhamento de dispositivos eletrônicos utilizados pelo desembargador.

O material recolhido passou a integrar o conjunto de provas analisado pelas autoridades e serviu de base para novas diligências realizadas ao longo dos últimos meses.

Patrimônio chamou atenção dos investigadores

Um dos pontos que despertaram a atenção dos órgãos de controle foi a evolução patrimonial do magistrado.

De acordo com informações reunidas pela Corregedoria Nacional de Justiça, Dirceu dos Santos “apresentou variação patrimonial em patamar incompatível com seus rendimentos licitamente auferidos”.

As investigações apontam que o desembargador movimentou R$ 14.618.546,99 em bens nos últimos cinco anos, valor considerado expressivo diante dos rendimentos oficialmente declarados.

Os investigadores agora buscam identificar a origem dos recursos movimentados e verificar se existe relação entre a evolução patrimonial e as suspeitas de comercialização de decisões judiciais.

A quebra dos sigilos autorizada no âmbito da Operação Gemini é considerada uma etapa importante para rastrear transações financeiras e mapear possíveis fluxos de recursos entre os investigados.

Deputado também é alvo da operação

Entre os nomes alcançados pela nova fase da investigação está o deputado estadual Faissal Calil (PL).

Antes de ingressar na vida política, o parlamentar atuou no gabinete de Dirceu dos Santos. Ele exerceu a função de assessor técnico de projetos e acórdãos junto ao desembargador, vínculo que passou a ser analisado pelos investigadores no contexto das apurações.

Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes sobre o papel atribuído ao parlamentar nas investigações nem os elementos que justificaram sua inclusão entre os alvos da operação.

A expectativa é que os materiais apreendidos durante as buscas ajudem a esclarecer a extensão das relações entre os investigados e a eventual participação de cada um nos fatos apurados.

Nova fase busca ampliar alcance da investigação

A Operação Gemini representa mais um desdobramento de uma investigação que vem mobilizando diferentes órgãos de controle e fiscalização, incluindo a Polícia Federal e a Corregedoria Nacional de Justiça.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que o esquema tenha envolvido uma rede de relações entre agentes públicos e particulares, com possíveis reflexos sobre decisões judiciais e movimentações financeiras consideradas atípicas.

A análise de documentos, aparelhos eletrônicos, registros bancários e dados telemáticos deverá orientar os próximos passos da apuração.

Com a execução das novas medidas autorizadas pela Justiça, a Polícia Federal busca reunir elementos que permitam confirmar ou afastar as suspeitas de corrupção, venda de sentenças e lavagem de dinheiro no âmbito do Judiciário mato-grossense.

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