PF investiga R$ 217 mil pagos por lobista a ex-chefe de gabinete de Lula

Marco Aurélio Ribeiro, Marcola, afirma que os valores eram empréstimos pessoais; defesa de Roberta Luchsinger diz que se manifestará nos autos

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A Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil, em 2024, em despesas pessoais de Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os pagamentos estão faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo, consórcio, Pix e uma joia, informa a Folha de S.Paulo.

Segundo a investigação, os pagamentos ocorreram enquanto Roberta mantinha tratativas para obter contratos relacionados à cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. Ela é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que também é investigado sob suspeita de manter interesses econômicos nos negócios da lobista.

PF vê coincidência entre pagamentos e negociações

Os pagamentos aparecem em representações da PF que embasaram a abertura de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). A corporação afirma ter identificado coincidência entre as transferências, as conversas entre Roberta e Marcola e as negociações envolvendo a World Cannabis e o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes.

Entre as despesas, estão R$ 95 mil em faturas de cartão do Banco do Brasil, R$ 36 mil em boletos de financiamento, R$ 48 mil em um consórcio e R$ 25 mil em um Pix. Também foram identificados R$ 9 mil referentes a joias de diamantes presenteadas por Roberta a Marcola.

A PF afirma que Marcola encaminhava boletos registrados em seu nome para Roberta, que realizava os pagamentos e enviava os comprovantes. Parte dos valores estava relacionada a um financiamento cujo beneficiário era o banco Toyota. Segundo os investigadores, Marcola tinha um Corolla Cross em seu nome.

Conversas citam Ministério da Saúde

Nas mensagens analisadas, também aparecem referências a Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, chamado de “Berger”. Segundo a investigação, Roberta cobrou de Marcola uma reunião com o secretário em julho de 2024.

A PF destaca ainda mensagens em que Marcola relaciona pagamentos a um possível presente de aniversário e, em outra ocasião, afirma sobre um Pix de R$ 25 mil: “Depois nos acertamos e te pago”. Para os investigadores, os elementos reunidos ainda não esclarecem completamente a origem e a finalidade da relação financeira entre os dois.

Defesas contestam interpretação da investigação

A defesa de Marcola afirma que não teve acesso à íntegra dos autos e diz que os valores foram referentes a um empréstimo pessoal, já integralmente quitado. Os advogados também contestam a divulgação do material e negam que ele tenha encaminhado documentos sobre compras ou licitações do Ministério da Saúde ou da Anvisa.

A defesa de Roberta Luchsinger informou que se manifestará apenas nos autos. Já o advogado de Lulinha afirmou que não há garantia sobre a veracidade do material reunido pela PF e questionou a motivação política do inquérito.

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