Agentes da Polícia Militar retiraram quase 10 toneladas de barricadas durante as ações realizadas neste sábado (22) no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. A região é alvo de uma ocupação por tempo indeterminado anunciada pela corporação após os confrontos registrados nesta sexta-feira (21).
Equipes do Comando de Operações Especiais (COE) removeram seis estruturas instaladas para dificultar o acesso das forças de segurança, desobstruíram duas vias, fecharam três valas e demoliram uma estrutura utilizada para impedir a circulação dos policiais.
Segundo a PM, somente na sexta, cerca de 200 agentes participaram da operação nas comunidades Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas. Na ocasião, foram retiradas aproximadamente sete toneladas de barricadas e recuperados nove veículos roubados.
Durante a ação, os policiais também encontraram artefatos explosivos instalados em barricadas, veículos com seteiras, uma estufa para cultivo de maconha e drogas.
Neste sábado, equipes do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) localizaram materiais que, segundo a corporação, seriam utilizados na produção de lança-perfume. Policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC), com auxílio dos cães Nila e Ira, também encontraram material entorpecente. A ocorrência foi encaminhada para a 22ª DP (Penha).
Ocupação ocorre após confronto e bloqueio da Avenida Brasil
A permanência das forças especiais na região foi anunciada pela PM após o confronto registrado ontem. Segundo a corporação, criminosos atiraram contra os policiais durante a operação. A troca de tiros provocou a interdição temporária da Avenida Brasil, na altura de Cordovil.
O bloqueio causou congestionamentos e reflexos no trânsito até a região da Ceasa, em Irajá. Durante a ação, um motorista de ônibus foi baleado no ombro quando chegava para trabalhar na garagem da Viação Caprichosa, em Parada de Lucas. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, em estado estável.
Um homem também morreu durante um confronto com os policiais. De acordo com a PM, um fuzil e uma pistola foram apreendidos com ele.
A corporação informou que a ocupação tem como objetivos ampliar a segurança na região, conter disputas territoriais entre grupos criminosos, combater o roubo de veículos, garantir o direito de ir e vir dos moradores e reforçar a presença do Estado.
Ainda não há uma data definida para o fim da operação. Segundo a PM, a permanência dos agentes será avaliada pelo Comando da Corporação.
Disputa entre facções marca rotina do complexo
O Complexo de Israel é formado pelas comunidades Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-Pau. A região é marcada por disputas territoriais entre grupos criminosos, principalmente o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Comando Vermelho (CV).
Um dos principais nomes ligados ao controle territorial da área é Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão. Ele é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do TCP no estado e é investigado por diferentes crimes.
Peixão também é associado a episódios de intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Segundo investigações, moradores teriam sido expulsos de áreas controladas pelo grupo por exercerem essas religiões, além de relatos de invasões e depredações de terreiros.
A simbologia utilizada pelo grupo também deu origem ao nome Complexo de Israel. Bandeiras de Israel e estrelas de Davi foram instaladas em pontos elevados das comunidades, incluindo a Cidade Alta. Peixão seria conhecido ainda pelo apelido de Arão, em referência ao personagem bíblico, e sua quadrilha seria chamada de Tropa do Arão.






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