Datafolha: Lula lidera entre mulheres, pretos e mais pobres; Flávio vai melhor entre evangélicos e renda mais alta

Recortes do Datafolha mostram presidente com vantagem também entre católicos e no Nordeste, enquanto senador tem seus maiores percentuais na região Sul

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Os recortes da nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial mostram um eleitorado dividido de maneira acentuada por gênero, renda, religião, raça e região do país. Enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta seus melhores resultados entre mulheres, pretos, católicos, brasileiros de menor renda e moradores do Nordeste, Flávio Bolsonaro (PL) alcança percentuais mais elevados entre evangélicos, eleitores das faixas superiores de renda e moradores do Sul.

As diferenças dentro de alguns desses segmentos são significativamente maiores do que a distância observada no resultado geral. Na simulação de segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio, com 43%. Mas, quando o eleitorado é separado por características sociais e demográficas, as distâncias chegam a superar 30 pontos percentuais.

A divisão religiosa é o exemplo mais evidente. Lula alcança 54% entre católicos, contra 36% de Flávio. Entre evangélicos, a situação se inverte: o senador registra 62%, enquanto o presidente aparece com 29%.

A pesquisa ouviu presencialmente 2.058 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 18 e 19 de agosto. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.

Mulheres dão vantagem a Lula; entre homens há empate técnico

O gênero aparece como uma das divisões importantes identificadas pelo levantamento.

Entre as mulheres, Lula registra 51% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 38%. A diferença entre os dois é de 13 pontos percentuais.

Na comparação com julho, o presidente oscilou de 50% para 51% nesse segmento, enquanto o senador passou de 40% para 38%.

Entre os homens, o cenário é diferente. Flávio registra 48%, enquanto Lula tem 43%. Os dois, porém, estão tecnicamente empatados considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos nesse recorte.

Em julho, Flávio aparecia com 46% entre os homens, e Lula, com 45%.

Lula chega a 55% entre pretos

A separação dos entrevistados por raça também evidencia diferenças no perfil do eleitorado dos dois candidatos.

Entre os eleitores que se declaram pretos, Lula registra 55% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%. É o segmento racial em que o presidente alcança seu maior percentual.

Na pesquisa anterior, Lula tinha 54% e Flávio, 34%.

Entre os pardos, a diferença é menor: Lula aparece com 48%, contra 42% do senador. Considerando a margem de erro desse grupo, de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

Entre os brancos, Flávio aparece numericamente à frente, com 47%, enquanto Lula registra 41%. Também há empate técnico nesse segmento, cuja margem de erro é de quatro pontos.

Renda expõe uma das maiores divisões

O recorte por renda familiar apresenta uma mudança clara no desempenho dos candidatos conforme aumenta o rendimento dos entrevistados.

Entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula alcança 55%, contra 35% de Flávio Bolsonaro. São 20 pontos percentuais de diferença.

Na rodada anterior, os números eram semelhantes: 56% para Lula e 36% para Flávio.

A situação se inverte entre os eleitores que recebem mais de dois e até cinco salários mínimos. Nesse grupo, Flávio registra 51%, enquanto Lula aparece com 37%.

Entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos, o senador amplia numericamente a vantagem: chega a 54%, contra 39% do presidente.

As margens de erro variam conforme o tamanho de cada grupo: são três pontos entre quem recebe até dois salários mínimos, quatro na faixa de mais de dois a cinco salários e seis entre aqueles com renda superior a cinco salários.

Religião produz distância de até 33 pontos

É no recorte religioso que aparece uma das divisões mais expressivas do levantamento.

Entre os católicos, Lula registra 54% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 36%. O quadro praticamente não mudou desde julho, quando os percentuais eram de 54% e 37%, respectivamente.

Entre os evangélicos, Flávio alcança 62%, seu maior percentual entre os principais segmentos apresentados pelo levantamento. Lula registra 29%.

A distância entre os dois candidatos nesse grupo chega, portanto, a 33 pontos percentuais.

Em julho, Flávio tinha 60% entre os evangélicos, enquanto Lula aparecia com 31%.

A margem de erro é de três pontos percentuais entre os católicos e quatro entre os evangélicos.

Nordeste e Sul apresentam cenários opostos

O mapa regional também mostra diferenças acentuadas.

O Nordeste é a região em que Lula apresenta seu maior percentual: 61% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. A vantagem é de 31 pontos percentuais.

Os números permanecem próximos dos registrados em julho, quando Lula tinha 62% e Flávio, 29%.

No Sul, o cenário se inverte. Flávio aparece com 50%, enquanto Lula registra 38%. Na rodada anterior, o senador tinha 52%, contra 36% do presidente.

Já no Sudeste, nenhum dos dois apresenta vantagem fora da margem de erro. Flávio registra 46%, e Lula, 43%, configurando empate técnico.

O mesmo acontece no agrupamento Centro-Oeste/Norte. Flávio aparece numericamente à frente, com 49%, enquanto Lula tem 42%, mas a diferença está dentro da margem de erro de cinco pontos percentuais desse recorte.

Os resultados segmentados mostram, assim, bases eleitorais bastante distintas. Lula concentra percentuais mais elevados entre mulheres, pretos, pessoas de menor renda, católicos e nordestinos. Flávio Bolsonaro registra desempenho numericamente superior entre eleitores de renda acima de dois salários mínimos, evangélicos e moradores do Sul, além de aparecer à frente entre os homens, embora neste último grupo haja empate técnico.

A margem de erro da pesquisa completa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Nos diferentes segmentos, entretanto, ela varia de acordo com o tamanho de cada amostra, chegando a seis pontos percentuais em alguns grupos.

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