Justiça da Bolívia manda prender aliado do clã Bolsonaro por atentado a tiros contra ex-companheira

Fernando Cerimedo, argentino que difundiu informações falsas sobre as urnas brasileiras, ficará seis meses em prisão preventiva e é investigado como mandante de atentado contra a advogada Nadia Beller, sua ex-companheira

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A Justiça da Bolívia determinou na sexta-feira (21) seis meses de prisão preventiva para o consultor político argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos, investigado como suposto mandante de um ataque a tiros contra a advogada Nadia Beller, sua ex-companheira. Ele também atua como assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz.

Cerimedo ganhou projeção política na América Latina por sua participação em campanhas e movimentos ligados à direita e à extrema direita. No Brasil, tornou-se conhecido após divulgar informações falsas sobre as urnas eletrônicas depois da eleição presidencial de 2022 e por sua proximidade com integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O argentino também teve atuação na eleição de Javier Milei à Presidência da Argentina, em 2023, quando participou da estratégia digital da campanha que levou o libertário à Casa Rosada.

A prisão preventiva, no entanto, está relacionada à investigação de um episódio ocorrido na Bolívia. Nadia Beller sofreu um atentado na noite de segunda-feira (17) e foi atingida por três tiros disparados por homens apontados como assassinos de aluguel. Ela sobreviveu e permanece internada.

Ex-companheira acusa Cerimedo de planejar ataque

Cerimedo foi detido na madrugada de terça-feira (18), após desembarcar no aeroporto de Santa Cruz. A prisão ocorreu poucas horas depois do ataque contra Beller.

A advogada apontou o ex-companheiro como responsável por planejar sua morte. A partir da acusação, o Ministério Público boliviano abriu uma investigação contra Cerimedo por tentativa de feminicídio.

O caso passou a envolver também a análise de dispositivos eletrônicos do investigado.

A emissora boliviana DTV divulgou supostos resultados da perícia realizada no telefone celular de Cerimedo. Entre os elementos apresentados estaria uma conversa mantida na mesma noite do atentado.

Em uma das mensagens, uma pessoa teria informado ao argentino: “Irmão, neste momento atiraram nela”.

A investigação deverá apurar o contexto da conversa, a identidade do interlocutor e se a mensagem possui relação direta com o planejamento ou a execução do atentado.

Com a decisão judicial, Cerimedo deverá permanecer preso preventivamente durante seis meses enquanto as autoridades bolivianas avançam na coleta de provas.

Cerimedo ganhou projeção no Brasil após eleição de 2022

Apesar de a investigação atual ocorrer na Bolívia, Fernando Cerimedo já havia adquirido notoriedade no Brasil por sua atuação após a eleição presidencial de 2022.

Em novembro daquele ano, depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Jair Bolsonaro, o argentino realizou uma transmissão ao vivo na qual apresentou uma série de alegações falsas sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.

Cerimedo apresentou na transmissão informações que supostamente colocariam em dúvida a legitimidade do resultado eleitoral. As alegações sobre fraudes nas urnas foram desmentidas pela Justiça Eleitoral.

O conteúdo, no entanto, circulou amplamente entre apoiadores de Bolsonaro em um período marcado pela contestação do resultado da eleição presidencial.

As suspeitas sem comprovação sobre as urnas passaram a integrar as narrativas utilizadas por grupos que rejeitavam a vitória de Lula e defendiam a permanência de Bolsonaro no poder.

Nova live com Eduardo Bolsonaro em 2026

A participação de Cerimedo no debate político brasileiro não terminou em 2022.

Em julho deste ano, o argentino participou de uma transmissão ao vivo com Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal que teve o mandato cassado. Na ocasião, voltaram a ser apresentadas alegações sem comprovação sobre a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

A aproximação com Eduardo Bolsonaro reforçou a permanência de Cerimedo no círculo político ligado à família do ex-presidente, mesmo anos depois da eleição de 2022.

Paralelamente à atuação relacionada ao Brasil, Cerimedo ampliou sua presença em campanhas eleitorais de outros países da América Latina.

Em 2023, participou da campanha presidencial de Javier Milei, coordenando a estratégia digital da candidatura que terminou com a vitória do economista e sua chegada à Casa Rosada.

A trajetória fez do consultor um personagem conhecido nas redes políticas da direita latino-americana, com atuação principalmente em comunicação e estratégias digitais.

Agora, o argentino enfrenta uma acusação de natureza distinta. As autoridades bolivianas investigam se ele participou do planejamento do atentado contra Nadia Beller e buscam identificar os responsáveis pela execução do ataque.

A prisão preventiva não representa condenação. Cerimedo permanecerá detido durante o período determinado pela Justiça enquanto o Ministério Público boliviano prossegue com as investigações sobre a tentativa de feminicídio.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo