A Polícia Federal identificou um repasse de R$ 14,2 milhões feito por um fundo ligado ao grupo Refit para uma empresa da família do senador Ciro Nogueira. A movimentação financeira faz parte da investigação que apura um suposto esquema de sonegação fiscal e corrupção envolvendo o empresário Ricardo Magro.
Segundo informações do blog de Fausto Macedo, do Estadão, a empresa beneficiada leva o nome do parlamentar e integra o grupo empresarial da família de Ciro Nogueira.
O senador confirmou a existência da transação e afirmou que o pagamento ocorreu de forma regular, relacionado à venda de um terreno destinado à construção de uma distribuidora de combustíveis.
Investigação avança
O caso surge em um momento de forte tensão política em Brasília e amplia o alcance das investigações conduzidas pela PF sobre movimentações financeiras associadas ao grupo Refit.
Segundo investigadores, o pagamento aparece dentro do escopo das apurações sobre supostos esquemas envolvendo sonegação tributária, lavagem de dinheiro e corrupção.
Até o momento, não há indicação pública de acusação formal contra Ciro Nogueira no caso.
Em nota, o senador afirmou que a negociação foi regularmente declarada às autoridades competentes e que a operação possui documentação formal.
Pressão sobre o Senado
A revelação do repasse ocorre em meio ao avanço de investigações que já atingem empresários, operadores financeiros e integrantes de instituições públicas ligados ao caso Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Nos bastidores políticos, aliados avaliam que o avanço da investigação sobre personagens próximos ao Senado aumenta a pressão sobre lideranças influentes do Congresso Nacional.
Ciro Nogueira é considerado um dos principais articuladores do Centrão e mantém proximidade política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Segundo reportagem do Estadão, investigadores acompanham movimentações financeiras ligadas ao grupo Refit e suas conexões políticas e empresariais.
Venda de terreno
De acordo com a versão apresentada pelo senador, o valor pago corresponde à venda de um terreno destinado à instalação de uma distribuidora de combustíveis.
A defesa sustenta que a negociação ocorreu dentro da legalidade e foi devidamente registrada junto aos órgãos responsáveis.
A investigação da PF, no entanto, segue analisando a origem dos recursos, a estrutura dos fundos envolvidos e o contexto das movimentações financeiras associadas ao conglomerado empresarial.
Nota do senador Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado. Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.





Deixe um comentário