Estudantes da USP, Unicamp e Unesp promoveram nesta quarta-feira (20) uma grande manifestação em São Paulo para cobrar do governador Tarcísio de Freitas mais investimentos nas universidades estaduais e respostas sobre a ação policial ocorrida na reitoria da USP no último dia 10.
O ato começou no Largo da Batata, na zona oeste da capital paulista, e seguiu em caminhada até o entorno do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. A mobilização reuniu alunos em greve das três instituições, além de representantes estudantis e apoiadores do movimento.
Entre as principais reivindicações dos estudantes estão melhorias nas políticas de permanência universitária, como aumento do valor dos auxílios, expansão das moradias estudantis e melhorias na alimentação oferecida pelas universidades.
Estudantes cobram diálogo com o governo estadual
Ao chegarem próximos ao Palácio dos Bandeirantes, os manifestantes afirmaram que só deixariam o local após serem recebidos por representantes do governo estadual. O protesto foi acompanhado pela Polícia Militar durante todo o trajeto.
No período da noite, uma comissão formada por representantes da USP, Unesp e Unicamp conseguiu uma reunião com integrantes da Casa Civil. Participaram ainda advogados e a deputada estadual Mônica Seixas.
Segundo os estudantes, o encontro terminou sem avanços concretos. Os representantes do movimento afirmaram que o governo não apresentou respostas sobre a operação policial que retirou alunos da reitoria da USP durante a ocupação do prédio administrativo.
Pedro Chiquitti, do Diretório Central dos Estudantes Livre da USP, declarou que o movimento busca abrir negociações tanto com as reitorias quanto com o Executivo paulista. Já Malena Rojas, diretora do DCE da Unicamp, classificou a postura do governo como “intransigente”.
Financiamento das universidades preocupa estudantes
Um dos principais focos do protesto foi a preocupação com o futuro do financiamento das universidades estaduais paulistas.
Atualmente, USP, Unicamp e Unesp recebem recursos por meio de um percentual fixo da arrecadação do ICMS, modelo implementado em 1989 e considerado essencial para garantir autonomia financeira às instituições.
Hoje, 9,57% da arrecadação do imposto estadual é destinado às universidades, sendo dividido da seguinte forma:
- USP: 5%
- Unicamp: 2,2%
- Unesp: 2,37%
Os estudantes argumentam que a reforma tributária aprovada em 2024 pode comprometer esse modelo, já que o ICMS será gradualmente substituído pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) até 2033.
Sem uma alteração constitucional que adapte o atual sistema de repasses, existe o temor de redução proporcional das verbas destinadas às universidades estaduais nos próximos anos.
Movimento pede ampliação de políticas de permanência
Os alunos afirmam que o crescimento do número de estudantes de baixa renda nas universidades estaduais aumentou a necessidade de investimentos em assistência estudantil.
Segundo os manifestantes, as instituições precisam ampliar programas de permanência para garantir que estudantes consigam concluir seus cursos com condições adequadas.
Entre as demandas apresentadas estão reajustes nos auxílios financeiros, aumento das vagas em moradias universitárias e melhoria na infraestrutura dos restaurantes universitários.
As reitorias das universidades têm mantido diálogo com os estudantes e criado grupos de trabalho para discutir as reivindicações apresentadas pelo movimento grevista.
Ação da PM na USP ampliou tensão entre estudantes e governo
Outro ponto central do protesto foi a atuação da Polícia Militar na desocupação da reitoria da USP, ocorrida durante a madrugada do último dia 10.
Na ocasião, cerca de 150 estudantes ocupavam o prédio administrativo da universidade. Aproximadamente 50 policiais participaram da operação de retirada dos manifestantes.
Cinco estudantes precisaram de atendimento hospitalar, enquanto quatro foram detidos durante a ação.
A USP informou posteriormente que não havia sido avisada previamente sobre a operação policial e repudiou a violência registrada durante a desocupação. O governador Tarcísio de Freitas, por outro lado, manifestou apoio à atuação dos agentes.
Após o episódio, o debate sobre segurança dos estudantes passou a ocupar posição central dentro da greve das universidades estaduais paulistas.
Greve avança nas universidades estaduais paulistas
A paralisação estudantil já alcança grande adesão nas três universidades estaduais.
Na Unesp, 66 dos 136 cursos aderiram ao movimento grevista. Já na Unicamp, 65 dos 67 cursos participam da paralisação.
Na USP, a greve ultrapassa um mês e segue mobilizando estudantes em diferentes unidades da instituição.
Mesmo após semanas de tensão, representantes estudantis afirmam que o movimento continuará até que sejam apresentadas propostas consideradas efetivas para as pautas reivindicadas.





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