Câmara aprova projeto que limita multas ambientais com base em imagens de satélite

Notificação prévia antes de sanções por desmatamento detectado remotamente gera reação de ambientalistas e segue agora para análise do Senado.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20) um projeto de lei que altera regras da fiscalização ambiental no país e restringe a aplicação de multas e embargos com base apenas em imagens de satélite de áreas desmatadas. A proposta segue agora para análise do Senado Federal.

A medida integra o conjunto de propostas defendidas pela bancada ruralista durante o chamado “Dia do Agro” na Câmara. O texto foi apreciado logo após outras pautas de interesse da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

Pela proposta aprovada, órgãos ambientais não poderão aplicar embargos e medidas cautelares apenas com base em monitoramento remoto que identifique alteração na cobertura vegetal. O projeto estabelece que produtores rurais deverão ser previamente notificados e terão direito à apresentação de esclarecimentos e documentos antes de qualquer punição.

Ambientalistas criticam mudanças na fiscalização

Parlamentares ligados à pauta ambiental afirmam que a proposta enfraquece o combate ao desmatamento ilegal e compromete a eficiência da fiscalização ambiental realizada por sensoriamento remoto.

O líder do PSOL na Câmara, Tarcísio Motta, afirmou que o projeto cria obstáculos para ações preventivas e favorece infratores ambientais.

Segundo ele, o monitoramento remoto é uma ferramenta essencial para atuação rápida em áreas desmatadas e a exigência de novas etapas processuais reduz a capacidade de resposta dos órgãos fiscalizadores.

Projeto prevê direito de defesa antes de embargos

Autor da proposta, Lúcio Mosquini defendeu que o texto busca garantir segurança jurídica aos produtores rurais.

De acordo com o parlamentar, o projeto não impede o monitoramento por satélite, mas estabelece que produtores sejam informados previamente antes da imposição de embargos ou sanções administrativas.

Mosquini argumenta que atualmente o ônus da prova recai sobre os proprietários rurais e que os sistemas automatizados de detecção, inclusive com uso de inteligência artificial, acabam resultando em bloqueios sem espaço adequado para defesa prévia.

Monitoramento remoto concentra maioria das detecções

A bancada ambientalista destacou que mais de 90% dos casos de desmatamento na Amazônia Legal são identificados por sistemas de sensoriamento remoto, considerados fundamentais para o controle ambiental em regiões extensas e de difícil acesso.

A deputada Fernanda Melchionna criticou a proposta e afirmou que o combate ao desmatamento exige atuação imediata dos órgãos ambientais.

Ela também demonstrou preocupação com possíveis impactos da medida sobre operações de fiscalização e apreensão de maquinários utilizados em crimes ambientais.

Relatora afirma que medida amplia segurança jurídica

Relatora do projeto, Marussa Boldrin afirmou que a proposta busca evitar prejuízos injustos a produtores rurais autuados exclusivamente com base em imagens de satélite.

Segundo a parlamentar, as mudanças podem fortalecer a governança ambiental ao ampliar a credibilidade dos órgãos de fiscalização perante a sociedade e garantir maior equilíbrio entre fiscalização e direito à defesa.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading