A Polícia Federal concluiu que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, investigado por suposta atuação em um grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, morreu por suicídio enquanto estava preso na Superintendência da PF em Minas Gerais. Segundo a apuração, não houve indícios de participação de terceiros no episódio.
Mourão foi detido no âmbito da Operação Compliance Zero e morreu após se enforcar na cela no dia 4 de março. Ele chegou a ser socorrido e levado a um hospital, onde permaneceu internado por dois dias, mas não resistiu. O óbito foi confirmado em 6 de março.
Conclusão da investigação
De acordo com a Polícia Federal, a investigação analisou imagens das câmeras de segurança da cela e colheu depoimentos de testemunhas para esclarecer as circunstâncias da morte. A corporação informou que o relatório final será encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso, que deverá remeter o material à Procuradoria-Geral da República para avaliação.
A conclusão aponta que Mourão tirou a própria vida sem qualquer tipo de coação ou auxílio de terceiros.
Papel no esquema investigado
Segundo a PF, Mourão era considerado operador central de um grupo identificado como A Turma, que atuaria em benefício de Daniel Vorcaro. Ele teria sido responsável por coordenar ações de monitoramento e coleta de informações sobre pessoas de interesse do banqueiro.
As investigações indicam que Mourão trocou mensagens com Vorcaro sobre estratégias de intimidação, incluindo a tentativa de pressionar o jornalista Lauro Jardim por meio de um assalto, além de outras conversas envolvendo ameaças e agressões a adversários.
Ainda conforme a polícia, ele teria acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos no Brasil e no exterior, o que facilitaria a execução dessas atividades.
Perfil e histórico
Em Minas Gerais, onde era conhecido pelo apelido de Mexerica, Mourão tinha registros por crimes como furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público e crimes contra a economia popular. Apesar do histórico, os delitos não eram classificados como violentos.
Policiais ouvidos durante a investigação apontaram que ele tinha perfil mais associado a fraudes financeiras, como esquemas de pirâmide, agiotagem e negociações irregulares envolvendo veículos usados. Também há indícios de ligação com organizações criminosas relacionadas a jogos ilegais.
Ele era réu desde 2021 em um processo que tramita na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte, acusado de envolvimento em organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. Segundo a denúncia, o esquema teria começado em 2017, com promessas de lucros elevados para atrair investidores.
Defesa e desdobramentos
No momento da prisão, a defesa de Mourão afirmou que as acusações não correspondiam à realidade e que os fatos seriam esclarecidos após acesso integral ao processo. A apuração da Polícia Federal sobre sua morte encerra a investigação interna sobre o episódio, mas os desdobramentos do caso seguem sob análise das autoridades competentes.






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