PF aponta ex-secretário de Castro e ex-presidente do Inea por trás de barco de suposto laranja

Barco estava em nome do advogado Pipo e de Rafael Bittencourt, mas PF aponta o ex-secretário do Ambiente Bernardo Rossi e o ex-presidente do Inea Renato Jordão por trás das despesas

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Uma cobrança da BR Marinas Glória entrou no conjunto de elementos usados pela Polícia Federal para apontar que uma embarcação formalmente vinculada a terceiros pertenceria, na prática, ao ex-secretário estadual do Ambiente Bernardo Rossi e ao ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Renato Jordão Bussiere.

Segundo a investigação, o barco estava registrado em nome de Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo, e Rafael Bittencourt Lucurci de Oliveira. A PF, porém, afirma ter identificado indícios de que Jordão e Rossi eram responsáveis por despesas relacionadas à embarcação.

O elemento destacado pelos investigadores é uma cobrança encaminhada por uma funcionária da BR Marinas Glória em 18 de fevereiro de 2025.

Cobrança chegou a Renato Jordão

Embora o débito estivesse vinculado à pessoa jurídica AC Santos Escritório Jurídico, a mensagem de cobrança foi enviada a Renato Jordão Bussiere.

Segundo a PF, Jordão não questionou por que estava recebendo a cobrança nem redirecionou a funcionária aos responsáveis formais. Ele pediu o envio do boleto para que a pendência fosse solucionada.

Para os investigadores, a reação demonstraria familiaridade com a dívida e capacidade de interferir diretamente na resolução do débito.

A Polícia Federal afirma que Jordão “demonstrou ter ciência da dívida e se portou como destinatário de fato da cobrança”.

Boleto foi enviado a Bernardo Rossi

Outro elemento destacado pela investigação surgiu logo depois. Após receber o boleto, Jordão encaminhou o documento a Bernardo Rossi, que naquele período comandava a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade.

Para a PF, o compartilhamento seria compatível com a existência de interesses comuns dos dois relacionados à embarcação.

A investigação sustenta ainda que a maneira como Jordão repassou informações sobre despesas e pagamentos a Rossi teria características de uma prestação de contas.

“O diálogo revela-se particularmente relevante por demonstrar que Bussiere mantinha envolvimento direto com a administração e custeio da embarcação”, registra o documento da investigação.

Ainda segundo a PF, Jordão acompanhava despesas correntes e providenciava pagamentos relacionados à manutenção do barco.

PF investiga relação com empresa

A apuração também relaciona o episódio à AC Santos Escritório Jurídico. A empresa aparece em outras frentes da investigação envolvendo supostos benefícios concedidos a Cláudio Castro.

Segundo o material da investigação, a empresa é acusada de ter custeado despesas relacionadas a caviar e a uma mansão em Petrópolis utilizada pelo ex-governador.

No caso da embarcação, a Polícia Federal considera que a cobrança recebida por Jordão e o posterior envio do boleto a Rossi ajudam a sustentar a suspeita de que os dois mantinham vínculo direto com o barco, apesar de não figurarem formalmente como seus proprietários.

A apuração também indica que a embarcação teria sido utilizada por Cláudio Castro.

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