Petrolíferas dos EUA investirão ‘pelo menos US$ 100 bilhões’ na Venezuela, diz Trump

Após invasão ao país latino-americano, EUA planejam controlar exploração do petróleo local e atrair gigantes do setor energético

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) que grandes empresas petrolíferas dos EUA devem investir “pelo menos US$ 100 bilhões (R$ 538,9 bilhões)” na Venezuela. A declaração foi feita em entrevista à Fox News e ocorre no contexto da invasão do país sul-americano pelas forças dos EUA e da reconfiguração forçada do controle sobre o setor de petróleo venezuelano.

“Eles vão reconstruir toda a infraestrutura de petróleo. Vão gastar pelo menos US$ 100 bilhões e o petróleo que possuem é inacreditável, com uma qualidade e quantidade inacreditáveis”, afirmou Trump.

Segundo o presidente dos EUA, executivos das grandes petrolíferas dos Estados Unidos se reuniriam ainda nesta sexta-feira com ele para discutir os próximos passos da exploração de petróleo na Venezuela e o papel que essas empresas terão no país.

Petróleo venezuelano sob controle dos EUA

Nesta semana, Trump afirmou que a Venezuela entregará até 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. A estatal venezuelana PDVSA confirmou que já negocia um acordo de venda com o governo estadunidense. Atualmente, a Chevron é a única empresa dos EUA oficialmente autorizada a operar em território venezuelano, cenário que Washington pretende ampliar com a entrada de outras gigantes do setor.

A Venezuela é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e detém as maiores reservas de petróleo do mundo, além de figurar historicamente entre os grandes produtores globais. Trump declarou nesta quarta-feira (7) que espera que os Estados Unidos administrem o país e explorem suas reservas por anos.

Em entrevista ao The New York Times, o presidente afirmou que o governo interino venezuelano — formado por ex-aliados do agora preso Nicolás Maduro — está “nos dando tudo o que consideramos necessário”.

Trump também disse que a Venezuela comprará produtos estadunidenses com os lucros obtidos com a venda do petróleo, reforçando a ideia de que os recursos energéticos do país passarão a sustentar interesses econômicos dos EUA.

Sanções, barreiras financeiras e controle da receita

Equipes dos dois países discutem a retirada de entraves burocráticos para viabilizar a operação, uma vez que o petróleo venezuelano está submetido a sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos desde o fim do ano passado. Além disso, a Venezuela foi excluída do sistema internacional de pagamentos Swift, o que dificulta transferências financeiras internacionais.

Segundo autoridades dos EUA, a receita obtida com a venda do petróleo será depositada em contas sob controle dos Estados Unidos.

“Esses fundos serão distribuídos em benefício do povo americano e do povo venezuelano”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, repetindo um discurso já adotado por Trump em outras ocasiões.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, também comentou a estratégia. “Não estamos roubando o petróleo de ninguém”, afirmou.

Reação internacional e tensão com a China

Até o momento, a China é o principal destino do petróleo venezuelano, que vinha sendo vendido a preços com desconto devido às sanções e às dificuldades logísticas. Com a nova ofensiva dos EUA, cresce o temor de que cargas antes destinadas aos chineses sejam redirecionadas para o mercado estadunidense.

O governo chinês reagiu com críticas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, condenou a postura de Washington.

“O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de ‘América em primeiro lugar’ quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de intimidação”, avaliou.

A escalada envolvendo o controle do petróleo venezuelano amplia as tensões geopolíticas e reforça críticas internacionais à ingerência dos Estados Unidos no país, em um cenário que combina invasão militar, disputa por recursos estratégicos e reconfiguração forçada da economia venezuelana.

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