Petrobras lucra R$ 32,6 bilhões, mesmo com queda de 7,2%

Empresa distribui R$ 9,3 bilhões em dividendos e prevê reflexos da guerra no Irã nos próximos resultado

A Petrobras encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 32,6 bilhões, resultado 7,2% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Apesar da queda, a companhia anunciou a distribuição de R$ 9,3 bilhões em dividendos aos acionistas e destacou que o desempenho ainda não reflete totalmente os impactos da escalada internacional do petróleo após o início da guerra no Irã.

O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (11) e mostrou que a estatal atingiu recorde de produção de petróleo e gás natural nos três primeiros meses do ano. Ao todo, a empresa produziu 3,2 milhões de barris por dia, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2025. Desse total, 2,5 milhões de barris foram apenas de petróleo.

Segundo a Petrobras, parte desse aumento ainda não apareceu de forma integral na receita da companhia por causa do intervalo entre o embarque do petróleo e o recebimento das vendas no exterior.

Produção recorde

A estatal afirmou que seus investimentos vêm impulsionando diretamente o crescimento operacional da companhia. O diretor financeiro da empresa, Fernando Melgarejo, afirmou que os resultados mostram consistência financeira e fortalecimento da estratégia da Petrobras.

Mesmo com o aumento da produção, a receita da companhia ficou em R$ 123,7 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior. O Ebitda — indicador usado para medir geração operacional de caixa — somou R$ 61,7 bilhões, abaixo das projeções do mercado financeiro.

A Petrobras também informou que seus investimentos alcançaram US$ 5,1 bilhões no trimestre, crescimento de 25,6% sobre o mesmo período do ano passado. A maior parte dos recursos foi direcionada para exploração e produção.

Guerra no Irã muda cenário

A companhia destacou que os efeitos mais fortes da disparada do petróleo após o conflito no Oriente Médio devem aparecer apenas no balanço do segundo trimestre.

No primeiro trimestre, o barril do petróleo Brent teve média de US$ 80,6. Após o agravamento da guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Hormuz, porém, os preços ultrapassaram os US$ 100 e chegaram a atingir US$ 118 em abril. Nesta segunda-feira, o barril era negociado em torno de US$ 104.

Como a Petrobras exporta grande parte de sua produção, a alta internacional tende a favorecer a receita da empresa nos próximos meses.

Refino e diesel em alta

A estatal também ampliou o refino nacional como estratégia para reduzir importações de combustíveis em meio à crise internacional.

A produção de combustíveis cresceu 6,4%, chegando a 1,8 milhão de barris por dia. O destaque ficou para o diesel S-10, cuja produção atingiu recorde de 512 mil barris diários.

O fator de utilização das refinarias chegou a 95% no trimestre e ultrapassou 97% em março, maior nível desde 2014. Com isso, as importações de diesel pela companhia caíram 26%.

O diesel foi um dos produtos mais afetados pela guerra no Oriente Médio, com preços internacionais subindo mais de 90% em poucas semanas.

Governo tenta conter impactos

Para reduzir os impactos do aumento internacional dos combustíveis, o governo Luiz Inácio Lula da Silva zerou impostos federais sobre combustíveis e lançou programas de subsídio ao diesel. A Petrobras aderiu às medidas.

A empresa encerrou o trimestre com dívida bruta de US$ 72,1 bilhões, alta de 2% em relação ao fim de 2025, resultado atribuído a novas captações realizadas neste ano.

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