Os eleitores peruanos voltam às urnas neste domingo (7) para definir quem comandará o país pelos próximos cinco anos. O segundo turno da eleição presidencial coloca frente a frente a conservadora Keiko Fujimori, do partido Força Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, da legenda Juntos pelo Peru.
A votação ocorre em um contexto de forte polarização política e após uma década marcada por instabilidade institucional. Desde 2016, o Peru teve oito presidentes, entre renúncias, destituições e sucessivas crises envolvendo o Executivo e o Congresso. O vencedor deste domingo será o nono chefe de Estado do país em dez anos.
Além da disputa política, a eleição é acompanhada com atenção pelo mercado e por governos estrangeiros devido à importância estratégica do Peru na produção mundial de cobre e outros minerais. O debate eleitoral tem sido marcado por propostas divergentes sobre o papel do Estado na economia, investimentos e exploração de recursos naturais.
Disputa acirrada
No primeiro turno, realizado entre 35 candidatos, Keiko Fujimori obteve 17,1% dos votos, enquanto Roberto Sánchez avançou para a segunda etapa com 12%. As pesquisas divulgadas nos últimos dias apontaram um cenário de equilíbrio, com ambos os candidatos dentro da margem de erro e um número significativo de indecisos.
Aos 51 anos, Keiko disputa a Presidência pela quarta vez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela defende a manutenção do atual modelo econômico e aposta em um discurso voltado à estabilidade institucional e ao crescimento econômico.
Já Roberto Sánchez, de 57 anos, é deputado federal e ex-ministro do Comércio Exterior. Sua candidatura reúne setores da esquerda e propõe mudanças estruturais, incluindo a convocação de uma Assembleia Constituinte e maior participação do Estado em áreas consideradas estratégicas.
Questionamentos judiciais
A campanha também foi marcada por questionamentos judiciais. Na sexta-feira, a Justiça peruana determinou a abertura de julgamento contra Sánchez por supostas irregularidades relacionadas ao financiamento partidário entre 2018 e 2020. O candidato nega as acusações e informou que recorrerá da decisão.
Com pesquisas indicando empate técnico e elevada taxa de indecisos, a expectativa é de uma apuração disputada voto a voto. O resultado definirá não apenas o próximo governo peruano, mas também os rumos políticos e econômicos do país em um período considerado decisivo para sua estabilidade institucional






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