Perícia confirma que ovo de Páscoa que matou irmãos no Maranhão continha chumbinho

Ex do atual namorado da mãe das vítimas foi indiciada por homicídio

A morte dos irmãos Luís Fernando, de 7 anos, e Evely Fernanda Rocha Silva, de 13, após ingerirem um ovo de Páscoa em Imperatriz, no interior do Maranhão, foi causada por envenenamento. A informação foi confirmada por laudo pericial divulgado nesta quarta-feira (30) pela Secretaria de Segurança Pública do estado, conforme apuração da Folha de S.Paulo.

De acordo com o laudo, o doce ingerido pelas crianças continha terbufós, um agrotóxico extremamente tóxico frequentemente utilizado na formulação de “chumbinho”, veneno ilegalmente vendido como raticida. A mãe das vítimas, Mirian Lira Rocha, de 36 anos, também ingeriu o produto contaminado, chegou a passar mal, mas se recuperou e está em casa.

A tragédia aconteceu na noite de 16 de abril. Luís Fernando morreu no dia seguinte, enquanto Evely não resistiu e faleceu seis dias depois, em 22 de abril. As investigações apontam que o ovo de chocolate teria sido entregue com um bilhete que dizia: “Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!”

Mirian relatou em entrevista à TV Mirante, afiliada da Globo na região, que acreditava se tratar de um presente legítimo:
“Quando chegou a embalagem, me ligaram perguntando se eu tinha recebido. Na minha cabeça, achei que fosse o povo da Cacau Show confirmando a entrega. Apenas respondi que sim, sem investigar mais.”

A principal suspeita do crime é Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, indiciada por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio. Segundo a polícia, ela é ex-companheira do atual namorado de Mirian e teria agido por ciúmes. Jordélia foi presa preventivamente — sem prazo para soltura — e está detida no presídio feminino de São Luís, onde aguarda julgamento. Na audiência de custódia, foi representada pela Defensoria Pública. A reportagem não conseguiu contato com sua defesa.

Segundo a delegada Alanna Lima, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Imperatriz, a suspeita apresentou diversas contradições durante o depoimento:
“Ela negou ter comprado o chocolate em Imperatriz, depois confirmou que foi até a Cacau Show do shopping. Por fim, disse que enviou os chocolates apenas como uma gentileza.”

A investigação revelou que Jordélia usou um disfarce e documentos falsos para executar o plano. Em uma tentativa de ocultar sua identidade, ela se hospedou em um hotel usando crachá com nome falso e uma peruca preta. Para justificar a documentação irregular, alegou ser uma mulher trans em processo de retificação de identidade.

A Polícia Civil chegou à suspeita após ouvir testemunhas, familiares e cruzar informações com imagens de câmeras de segurança da loja onde o chocolate foi comprado. Durante a abordagem, foram apreendidos diversos itens, como óculos escuros, perucas, remédios, restos de chocolate e passagens de ônibus.

O caso gerou forte comoção na cidade e trouxe à tona um alerta sobre o uso de substâncias proibidas em atos criminosos. A investigação segue em curso, e a expectativa é de que o Ministério Público ofereça denúncia formal nos próximos dias.

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