Um menino de sete anos morreu em Imperatriz, no Maranhão, após consumir um ovo de Páscoa entregue anonimamente à sua família. A mãe e a irmã da criança, que também ingeriram o doce, estão internadas em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal da cidade. As informações são de Globo.
Segundo relato de familiares, o ovo foi entregue na noite de quarta-feira (16) por um motoboy que também deixou um bilhete com os dizeres: “Com amor, para Miriam Lira. Feliz Páscoa”. Minutos após consumirem o chocolate, os três começaram a passar mal. O pai da criança, que vive em uma casa ao lado, prestou os primeiros socorros e acionou o resgate, mas o menino não resistiu.
A mãe e a irmã foram levadas às pressas ao hospital e permanecem internadas sob cuidados intensivos. Até o momento, não há informações oficiais sobre o estado de saúde atualizado das duas vítimas.
A Polícia Civil do Maranhão trata o caso como prioridade e já iniciou a investigação para apurar se o ovo estava contaminado com alguma substância tóxica. Em nota, a corporação afirmou que “amostras do alimento foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística de Imperatriz para análise”. A depender do resultado, o inquérito poderá ser transferido para a Delegacia de Homicídios.
Por ora, a polícia opta por não divulgar detalhes da investigação “a fim de não comprometer o andamento dos trabalhos”.
Outro caso semelhante: o bolo envenenado em Torres (RS)
O caso de Imperatriz reacende memórias de outro episódio recente envolvendo possível envenenamento com alimentos. Na véspera do Natal de 2023, três pessoas morreram em Torres, no Rio Grande do Sul, após consumirem um bolo contaminado por arsênio.
Na ocasião, as investigações apontaram como autora do crime Deise Moura dos Anjos, que teria envenenado a sobremesa com o objetivo de atingir a sogra, Zeli dos Anjos, de 60 anos. A substância foi supostamente misturada à farinha utilizada no preparo do bolo cerca de um mês antes da ceia.
Entre as vítimas fatais estavam Neuza Denize Silva dos Anjos, 65 anos, e Maida Berenice Flores da Silva, 59, ambas irmãs de Zeli. A concentração de arsênio encontrada no corpo de uma das vítimas foi 350 vezes superior ao limite mínimo para causar envenenamento, segundo informou Marguet Mittman, diretora do Instituto Geral de Perícias (IGP).
A tragédia ganhou contornos ainda mais graves quando exames revelaram que o sogro de Deise, Paulo Luiz dos Anjos, morto em setembro de 2023, também teria sido envenenado, embora na época a morte tenha sido atribuída a uma intoxicação alimentar.
Deise chegou a ser presa em janeiro deste ano, mas foi encontrada morta no mês seguinte, na penitenciária onde aguardava julgamento.
Investigação e alerta
O caso do ovo de Páscoa em Imperatriz gera preocupação entre autoridades e especialistas em segurança alimentar, especialmente pelo fato de o presente ter sido entregue sem identificação, como um gesto de afeto típico das datas comemorativas.
A Polícia Civil alerta para que qualquer entrega não solicitada, sobretudo envolvendo alimentos, seja tratada com cautela e, se possível, comunicada às autoridades.
A investigação agora busca identificar o autor do envio e o motoboy que realizou a entrega, que pode ser uma peça-chave para esclarecer a origem e a motivação do possível crime.





