Trump anuncia acordo com Irã para domingo, mas Teerã nega prazo e expõe divergências sobre pacto

Presidente dos EUA diz que assinatura ocorrerá neste domingo e promete reabertura imediata do Estreito de Ormuz; governo iraniano afirma que não há data definida e que ainda existem pontos sem consenso

As negociações para encerrar meses de tensão entre Estados Unidos e Irã avançaram nos últimos dias, mas declarações contraditórias dos dois lados mostram que ainda há incertezas sobre o desfecho do acordo. Neste sábado (13), o presidente americano Donald Trump afirmou que o pacto de paz será assinado neste domingo (14), enquanto o governo iraniano declarou que não há previsão para a formalização do documento e descartou a assinatura na data anunciada por Washington.

Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que o acordo está pronto para ser firmado e garantiu que o Estreito de Ormuz será reaberto imediatamente após a assinatura. Segundo o presidente americano, o entendimento também criará uma barreira definitiva para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

“Esperamos trabalhar em conjunto com o Irã e todo o Oriente Médio no futuro”, escreveu Trump. Ele acrescentou que, em um momento posterior, os Estados Unidos pretendem recolher e destruir o material nuclear iraniano armazenado em instalações subterrâneas.

Paquistão reforça expectativa de acordo

O anúncio de Trump ocorreu poucas horas depois de o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, informar que Washington e Teerã haviam concordado com os termos do acordo.

O Paquistão, que vem atuando como principal mediador das negociações, afirmou que uma assinatura eletrônica poderia ocorrer nas próximas 24 horas, seguida por discussões técnicas na próxima semana.

“Estamos mais perto de um acordo de paz do que nunca”, publicou Sharif na rede social X. A mensagem foi posteriormente compartilhada por Trump.

O líder paquistanês também agradeceu aos dois governos pelo comprometimento nas negociações e declarou confiança de que o entendimento poderá estabelecer uma base para uma paz duradoura na região.

Irã nega assinatura neste domingo

Apesar do otimismo demonstrado por Washington e Islamabad, o governo iraniano adotou um tom mais cauteloso.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que a assinatura do memorando de entendimento não ocorrerá neste domingo.

“Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora isso não aconteça amanhã”, declarou à imprensa estatal iraniana.

Baghaei admitiu que a formalização do documento pode ocorrer nos próximos dias, mas afirmou que ainda existem incertezas no processo e que o governo iraniano prefere evitar previsões sobre o cronograma.

Divergências sobre os termos do acordo

As diferenças não se limitam apenas à data da assinatura. Também há versões distintas sobre os principais pontos do acordo em negociação.

Segundo autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters, o texto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a retirada do urânio enriquecido do território iraniano.

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, apresentou uma versão diferente. Segundo ele, o acordo inclui o fim das restrições americanas aos portos iranianos, o desbloqueio de ativos financeiros congelados no exterior e um novo sistema de administração para o Estreito de Ormuz.

Teerã também afirma que ainda não existe consenso definitivo sobre o futuro de seu programa nuclear, considerado um dos principais obstáculos nas negociações.

Conflitos continuam apesar do avanço diplomático

Enquanto as conversas avançam, os confrontos na região não cessaram.

Neste sábado, os Estados Unidos informaram ter interceptado drones iranianos que teriam como alvo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. A via marítima segue no centro das negociações por ser uma das mais importantes rotas globais para o transporte de petróleo.

Outro ponto delicado envolve o conflito no Líbano. Segundo autoridades americanas, o acordo prevê o encerramento dos ataques na frente libanesa, uma das exigências apresentadas por Teerã.

Apesar de um cessar-fogo firmado entre Israel e Hezbollah em abril, os confrontos continuam. Neste sábado, forças israelenses voltaram a bombardear áreas do sul do Líbano após emitirem alertas para evacuação de localidades da região.

Assinatura pode ocorrer durante agenda internacional

A Suíça chegou a se oferecer para sediar uma eventual assinatura presencial do acordo. A possibilidade coincide com a realização da cúpula do G7, que começa na próxima segunda-feira (15), na região de Evian, na França, próxima à cidade suíça de Genebra.

No entanto, autoridades iranianas indicaram que a assinatura do memorando deverá ocorrer de forma remota. Trump, por sua vez, tem uma agenda cheia durante o encontro do G7, incluindo reuniões com líderes do Egito, Catar, Emirados Árabes Unidos, França e Índia, além de um encontro previsto com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.

Apesar do clima de otimismo demonstrado por Estados Unidos, Paquistão e parte da diplomacia iraniana, as divergências sobre o cronograma e sobre os termos centrais do acordo indicam que o anúncio oficial ainda depende da superação de obstáculos importantes.

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