Os governos dos Estados Unidos e do Irã podem anunciar neste domingo (23) um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. A informação foi confirmada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, que afirmou que as negociações avançaram nas últimas horas.
Apesar do avanço diplomático, autoridades iranianas já sinalizaram que um eventual pacto não incluirá restrições imediatas ao programa nuclear do país, um dos principais pontos de tensão entre Teerã e Washington nas últimas décadas.
Os dois países mantêm um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto mediadores internacionais tentam construir uma solução negociada para o conflito. Mesmo com a trégua, o Irã continua impondo restrições à navegação no Golfo Pérsico, enquanto os Estados Unidos mantêm bloqueios contra portos iranianos.
Negociações avançam
Durante visita oficial à Índia, Marco Rubio afirmou que o mundo poderá receber “boas notícias nas próximas horas”. A declaração aconteceu após o presidente Donald Trump afirmar nas redes sociais que o acordo já foi amplamente negociado.
Segundo Trump, resta apenas uma etapa final envolvendo “os Estados Unidos, a República Islâmica do Irã e vários outros países”.
Rubio afirmou ainda que o entendimento pode iniciar um processo voltado ao objetivo defendido por Trump de construir “um mundo que não precise mais temer uma arma nuclear iraniana”.
Outro ponto anunciado pelo presidente americano foi a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.
Impacto no petróleo
O bloqueio imposto pelo Irã ao estreito vinha provocando tensão nos mercados globais de energia. Em períodos normais, cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo passam pela região.
Autoridades iranianas confirmaram que existe uma minuta de acordo em discussão. No entanto, segundo integrantes do governo, as conversas sobre o programa nuclear seriam adiadas por 60 dias após a assinatura do pacto.
De acordo com a agência iraniana Fars, os Estados Unidos concordaram em liberar parte dos recursos iranianos congelados no exterior por causa das sanções internacionais e também suspender o bloqueio naval contra embarcações que operam em portos do país.
Em troca, a navegação pelo Estreito de Ormuz voltaria aos níveis anteriores ao conflito, embora sob controle iraniano.
A agência ainda informou que sanções ligadas aos setores de petróleo, gás e petroquímicos seriam suspensas temporariamente durante o período de negociação, permitindo que o Irã retomasse exportações de forma mais ampla.
Articulação internacional
Líderes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Jordânia e Bahrein participaram no sábado de uma ligação com Trump para discutir os termos do possível acordo.
Representantes da Turquia e do Paquistão também participaram das conversas diplomáticas.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que seu país espera sediar uma nova rodada de negociações presenciais entre americanos e iranianos nos próximos dias.
Segundo Sharif, o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, esteve em Teerã recentemente e ajudou a avançar as tratativas diplomáticas.
Ameaças e tensão regional
Apesar do avanço das negociações, o clima ainda é de tensão no Oriente Médio. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país responderá duramente caso os Estados Unidos retomem ataques militares.
Segundo ele, as forças iranianas se reorganizaram durante o cessar-fogo e estariam preparadas para ampliar a reação em caso de nova ofensiva americana.
Trump também afirmou que conversou separadamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e classificou o diálogo como “muito bom”.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, ataques americanos contra o Irã vêm sendo realizados em coordenação com Israel.
Conflito no Líbano
Na frente libanesa do conflito, a imprensa estatal informou que Israel voltou a bombardear o sul do Líbano neste sábado, apesar do cessar-fogo firmado em 17 de abril.
O Exército libanês afirmou que um quartel militar foi atingido e deixou um soldado ferido. Já Israel informou que um militar israelense morreu perto da fronteira na sexta-feira.
Neste domingo, a Defesa Civil libanesa declarou que uma instalação regional na cidade de Nabatieh foi destruída após um ataque israelense.
Mesmo diante das novas ofensivas, mediadores internacionais tentam consolidar um acordo amplo que possa encerrar meses de tensão militar e abrir caminho para uma negociação definitiva entre Washington e Teerã.





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