O acesso à internet no Brasil atingiu um novo marco histórico em 2025. Pela primeira vez desde o início da série da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), mais de 90% da população com dez anos ou mais utilizou a rede. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a parcela de usuários passou de 89,2% em 2024 para 90,5% no ano passado.
A pesquisa revela que 168,7 milhões de brasileiros utilizaram a internet nos três meses anteriores às entrevistas, realizadas no quarto trimestre de 2025. O universo pesquisado compreende uma população estimada em 186,4 milhões de pessoas com dez anos ou mais.
Desde o início do levantamento, em 2016, o avanço foi expressivo. Naquele ano, apenas 66% da população era considerada usuária da internet.
Outro dado que chama atenção é a frequência de utilização. Entre aqueles que acessaram a rede, 95,6% afirmaram fazer uso diário da internet, evidenciando a consolidação do ambiente digital no cotidiano dos brasileiros.
Diferença entre cidade e campo diminui
Embora os moradores das áreas urbanas continuem apresentando maior índice de conectividade, o avanço registrado no meio rural foi um dos principais destaques da pesquisa.
Em 2025, 91,5% da população urbana utilizava a internet, enquanto nas áreas rurais o percentual chegou a 83%.
Apesar da diferença de 8,5 pontos percentuais, o IBGE destaca que essa distância diminuiu significativamente ao longo da última década.
Em 2016, 71,3% dos moradores das cidades utilizavam a internet, contra apenas 33,8% dos residentes no campo, uma diferença de 37,5 pontos percentuais.
Segundo o instituto, a proporção de usuários nas áreas rurais mais do que dobrou desde o início da série histórica.
Regionalmente, o Centro-Oeste apresentou o maior índice de conectividade do país, com 93,6% da população utilizando a internet.
Na sequência aparecem Sul (91,7%) e Sudeste (90,9%). Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) também se aproximaram da marca de 90%.
Celular domina acesso e televisão ganha espaço
O telefone celular permanece como o principal equipamento utilizado pelos brasileiros para acessar a internet.
Em 2025, 98,7% dos usuários recorreram ao aparelho para navegar na rede, percentual superior aos 94,7% registrados em 2016.
Já a televisão foi o equipamento que apresentou uma das maiores evoluções no período.
O percentual de usuários que acessaram a internet por meio da TV passou de 11,3% para 57,8%.
“É um aumento bastante impressionante”, disse Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE.
O avanço acompanha a popularização dos serviços de streaming, que ampliaram o uso da televisão conectada para assistir filmes, séries e outros conteúdos digitais.
Na direção oposta, o microcomputador perdeu espaço.
O percentual de internautas que utilizaram computadores caiu de 63,2% em 2016 para 33,4% em 2025. Ainda assim, o IBGE observa que o indicador permaneceu praticamente estável em relação a 2024, quando era de 33,3%, sugerindo uma possível interrupção da tendência de queda.
Idosos ampliam presença na internet
O crescimento do acesso entre pessoas com 60 anos ou mais foi outro destaque do levantamento.
A proporção de idosos conectados passou de 70,1% em 2024 para 74,5% em 2025.
Embora continue sendo a menor taxa entre todos os grupos etários analisados, o IBGE classifica esse movimento como uma trajetória de “acelerada expansão”.
Em comparação com o período anterior à pandemia, o avanço é ainda mais expressivo. Em 2019, apenas 44,9% dos idosos utilizavam a internet.
Gustavo Geaquinto Fontes atribui esse crescimento ao aumento da presença dos serviços digitais no cotidiano da população.
“A pessoa pode hoje usar a internet pela televisão para assistir a uma série. Muitos serviços são pedidos pela internet. Existe um certo estímulo para os idosos utilizarem a internet.”
Segundo o pesquisador, outro fator importante é que pessoas que já utilizavam a internet em idades mais jovens estão envelhecendo e permanecendo conectadas.
Uso entre crianças se estabiliza
Entre crianças e adolescentes de 10 a 13 anos, a pesquisa identificou um cenário de estabilidade.
O percentual de usuários passou de 84,9% em 2024 para 84,4% em 2025.
Desde o recorde de 85% registrado em 2022, a taxa permanece oscilando em torno de 84%.
Para o IBGE, esse comportamento pode estar relacionado ao aumento das discussões sobre segurança digital e ao controle do uso de dispositivos por menores.
“A gente tem visto cada vez mais uma discussão, uma preocupação, sobre a segurança das crianças com a exposição a redes sociais. Isso pode estar relacionado a essa estagnação”, disse Gustavo.
“A gente viu, por exemplo, a partir de 2025, uma restrição ao uso de celulares em escolas”, acrescentou o pesquisador, em referência à lei federal sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que restringiu o uso de celulares nas instituições de ensino.
A pesquisa também registrou a primeira redução no percentual de crianças e adolescentes dessa faixa etária que possuem telefone celular.
A proporção caiu de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025.
Chamadas lideram atividades online
Entre os usos mais frequentes da internet, conversar por chamadas de voz ou vídeo permaneceu na liderança.
Essa atividade foi realizada por 95,3% dos usuários e é a única da pesquisa que ultrapassa a marca de 95%.
Na sequência aparecem o envio e recebimento de mensagens por aplicativos (90,2%), assistir a vídeos, séries e filmes (89,3%) e utilizar redes sociais (84,9%).
O uso das redes sociais apresentou leve crescimento em relação a 2024, quando o índice era de 84,2%.
Entretanto, entre estudantes houve redução.
Na rede pública, a utilização dessas plataformas caiu de 76,7% para 74%. Já na rede privada, recuou de 76,9% para 73,5%.
“Isso também pode estar refletindo a questão da preocupação com a segurança”, afirmou Gustavo.
Bancos digitais e serviços públicos avançam
O levantamento mostra ainda que os brasileiros utilizam cada vez mais a internet para atividades financeiras e acesso a serviços públicos.
O percentual de usuários que acessaram bancos ou outras instituições financeiras pela internet passou de 59,8% em 2022 para 74,2% em 2025.
Em números absolutos, isso representa um acréscimo de 30,2 milhões de pessoas utilizando serviços bancários digitais.
Também houve crescimento expressivo nas compras online e na utilização de serviços públicos digitais.
Entre 2022 e 2025, a parcela de usuários que comprou ou encomendou produtos pela internet aumentou 10,9 pontos percentuais, alcançando 52,7% dos internautas.
Já o uso de serviços públicos digitais cresceu 7,9 pontos percentuais no período, chegando a 41,1% dos usuários, o equivalente a mais 16,6 milhões de pessoas acessando esse tipo de serviço.






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