Caio de Santis (DA EQUIPE DO BLOG EM BRASÍLIA)
A Câmara voltará a se debruçar sobre a PEC das Igrejas nesta semana. A votação, que seria na última quarta, foi interrompida pelo fato de um homem-bomba ter se explodido na Praça dos Três Poderes, em Brasília. E a matéria, que amplia a imunidade tributária para templos religiosos, diz muito sobre o tabuleiro político do Rio em 2026. O texto é do ex-prefeito da capital Marcelo Crivella, que estará no palanque da direita e sonha ser candidato ao Senado nas próximas eleições. Bispo licenciado da Igreja Universal, ele tem o projeto como prioridade e passará a atrair ainda mais votos do segmento religioso.
Os evangélicos compõem um dos principais filões eleitorais do bolsonarismo, que tentará fazer o sucessor de Cláudio Castro. Com medo do impacto que isto pode ter sobre os votos, os petistas vão liberar a sua bancada para que votem como quiserem. O medo é que impedindo a votação deste texto, os evangélicos virem as costas para o palanque petista, que deve apoiar a candidatura de Eduardo Paes para o governo.
Na Câmara, três importantes expoentes do segmento evangélico do Rio estão entre os principais entusiastas da aprovação: Crivella, é claro, Sóstenes Cavalcante e Otoni de Paula. Este último, é importante lembrar, esteve com Paes nas últimas eleições municipais, enquanto os dois primeiros caminharam com os nomes de Bolsonaro nos últimos anos, o que mostra que os dois lados da disputa têm interesse no capital político deste projeto.
Já de olho no eleitorado evangélico, o PT tem na deputada Benedita da Silva o nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer ao Senado pelo Rio. Ex-governadora e petista histórica, Benedita tem a confiança do presidente e reúne predicados suficientes para se cacifar ao posto: mulher negra e evangélica, ela é vista como um nome crível para uma eleição de duas vagas à Casa Alta do Congresso, como a de 2026. Por ser evangélica, Benedita ainda poderia reforçar o palanque de Eduardo Paes ao governo, quando o hoje prefeito do Rio precisará reunir forças no segmento religioso.
Paes deve ser candidato.
Braço-direito e principal articulador político de Paes, o deputado Pedro Paulo garante: “O Eduardo não terá outra alternativa: terá de ser candidato ao governo em 2026”.
Em tom incisivo, a declaração brotou com naturalidade durante entrevista do presidente regional do PSD ao Jogo do Poder, que vai ao ar pela Rede CNT de Televisão. Pedro Paulo acredita que este será o desfecho natural para o quadro sucessório do governador Cláudio Castro. A falta de nomes competitivos funcionaria como uma espécie de convocação tácita de Eduardo Paes para missão.





