O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa originada nos presídios de São Paulo, já tem presença confirmada em pelo menos 28 países, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (25) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A informação foi publicada pela CNN Brasil.
De acordo com o levantamento, 2.078 integrantes da organização atuam fora do Brasil — sendo 1.092 presos e 986 ainda em liberdade. O levantamento aponta a expansão internacional do grupo, com forte concentração em países da América do Sul, como Paraguai, Venezuela, Bolívia e Uruguai, onde a facção desenvolve atividades principalmente ligadas ao tráfico internacional de drogas, especialmente cocaína.
O Paraguai aparece no topo da lista, com 699 membros identificados — 358 soltos e 341 presos. Em seguida estão a Venezuela, com 656 integrantes (239 soltos e 417 presos), a Bolívia, com 146, e o Uruguai, com 140. Segundo o MP-SP, esses países funcionam como importantes rotas de escoamento e armazenagem de entorpecentes, além de centros de apoio logístico para o braço internacional da facção.
Ainda de acordo com o relatório, há registros de presença do PCC em nações da Europa, Ásia e até no Oriente Médio. Alemanha, Equador, Guiana Francesa, Líbano, Sérvia e Suíça constam com apenas um integrante da facção, todos em liberdade. Nos Estados Unidos, foram identificados 15 membros — 13 em liberdade e dois presos. Em Portugal, outro destino estratégico para o narcotráfico internacional, foram contabilizados 87 integrantes: 58 soltos e 29 presos.
A atuação internacional do PCC é considerada uma das principais ameaças à segurança pública e à cooperação jurídica transnacional. O MP paulista observa que a facção se vale de conexões com outros grupos criminosos e de estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro e envio de drogas ao exterior, com articulação inclusive em portos europeus e asiáticos.
Abaixo, alguns dos números mais expressivos do relatório do MP-SP:
- Paraguai: 358 soltos e 341 presos
- Venezuela: 239 soltos e 417 presos
- Bolívia: 71 soltos e 75 presos
- Uruguai: 44 soltos e 96 presos
- Portugal: 58 soltos e 29 presos
- Argentina: 26 soltos e 30 presos
- Colômbia: 29 soltos e 17 presos
- Peru: 30 soltos e 26 presos
Em países europeus como França, Espanha e Itália, a presença ainda é considerada discreta, mas monitorada por autoridades brasileiras e estrangeiras. O MP-SP alerta para a crescente sofisticação das redes de atuação do PCC fora do Brasil, muitas vezes integradas ao crime organizado transnacional.
A divulgação do relatório reforça o papel das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em parceria com autoridades internacionais, que vêm trocando informações com o Brasil por meio de acordos de cooperação jurídica e operações conjuntas.
O documento integra um esforço do MP para traçar o panorama global da facção e subsidiar novas medidas de enfrentamento à sua atuação além das fronteiras brasileiras.






