Pais denunciam ataque religioso a filha de 5 anos dentro de escola municipal

Criança teria sido humilhada após presentear professora com flor associada a Oxum; docente será alvo de sindicância

Os pais de uma menina de 5 anos denunciaram que a filha foi vítima de intolerância religiosa dentro de uma escola municipal em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância investiga o caso, registrado como injúria por preconceito.

Segundo a mãe, Lorene Pestana da Silva, a criança levou uma flor amarela para presentear a professora no dia 3 de novembro, dizendo que era a flor de Oxum, orixá das religiões de matriz africana.

A professora teria reagido afirmando que a flor viria do diabo, alegando motivos religiosos pessoais. Lorene relata que a filha ficou transtornada e passou a ter medo de frequentar a escola.

Oxum e a representatividade religiosa

Oxum é cultuada em religiões como Umbanda e Candomblé e associada às águas doces, beleza, amor e prosperidade. A flor amarela é símbolo tradicional da orixá, que também aparece no sincretismo com Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora Aparecida. Para a família, o gesto da menina foi uma demonstração espontânea de afeto e identidade cultural.

O pai, Alexsandro Viana de Assunção, afirma que a escola só chamou os responsáveis para conversar 16 dias após o episódio. Ele disse que a filha, antes animada, agora resiste a ir para as aulas e expressa tristeza ao lembrar da professora.

Investigação da Decradi

A ocorrência foi formalizada na Decradi, que já iniciou a oitiva de testemunhas e vai ouvir a professora envolvida. O Conselho Tutelar também acompanha o caso. A Secretaria Municipal de Educação informou que a docente responderá a sindicância administrativa e que a mãe foi convidada para uma reunião com equipe interdisciplinar de apoio psicológico e pedagógico.

A secretaria ressaltou que desde 2021 mantém a Gerência de Relações Étnico-Raciais, criada para implementar ações de combate ao racismo, dialogar com as comunidades escolares e valorizar culturas afro-brasileiras e indígenas — diretrizes alinhadas às recomendações do Anuário de Gestão de Pessoas, que aponta a necessidade de ambientes escolares seguros e inclusivos.

Escola e políticas públicas

O episódio ocorreu no Espaço de Desenvolvimento Infantil Professor Celso de Almeida Chaves. A família afirma buscar não apenas a responsabilização, mas também garantias de que a criança será acolhida e protegida.

Os pais dizem que seguem acompanhando as investigações e esperam que a escola fortaleça práticas de respeito religioso e cultural. Para Lorene, o mais importante agora é fazer a filha recuperar a confiança no ambiente escolar: Dói muito ver minha filha triste. Ela amava a professora e agora não quer mais ir para a escola.

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