O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), vetou integralmente o projeto de lei que criaria o “Dia da Cegonha Reborn”, em homenagem às artesãs responsáveis por confeccionar bonecas hiper-realistas conhecidas como bebês reborn. O texto havia sido aprovado na Câmara Municipal e previa a comemoração no dia 4 de setembro.
Em publicação nas redes sociais, Paes foi direto:
“Com todo respeito, mas não dá”, escreveu, ao lado de uma imagem do veto oficial.
A proposta foi apresentada pelo vereador Vitor Hugo (MDB), que justificou a iniciativa como uma “homenagem emocionante a mulheres incríveis da nossa cidade”. Segundo ele, muitas artesãs que produzem os bebês reborn encontraram nesse trabalho uma forma de superação emocional, após experiências difíceis como luto e depressão.
O que são os bebês reborn
Os bebês reborn são bonecas confeccionadas manualmente com detalhes que simulam com extrema precisão as características de um recém-nascido. Além do valor artístico, eles são usados em terapias para auxiliar mulheres em tratamento psicológico, além de servirem como material didático e objeto de coleção.
A repercussão do veto ocorre no momento em que vídeos com bebês reborn ganham milhões de visualizações na internet. Um dos mais conhecidos é o da influenciadora Sweet Carol, que simulou um parto empelicado de uma dessas bonecas. A gravação, originalmente publicada em 2022, foi republicada recentemente e soma mais de 115 milhões de visualizações no TikTok, além de outras centenas de milhares no YouTube e Instagram.
Enquanto o veto de Paes gerou críticas por parte de quem enxerga nas artesãs um trabalho de impacto social e emocional, outros usuários ironizaram a proposta e defenderam a decisão do prefeito. A discussão escancara o embate entre o conservadorismo institucional e novas formas de expressão artística e terapêutica.
A Câmara ainda pode derrubar o veto e promulgar a lei, caso reúna os votos necessários em plenário. Até lá, o “Dia da Cegonha Reborn” segue apenas como uma ideia que — por ora — não “nasceu”.





