O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, pré-candidato ao governo do estado pelo PSD, fez duras críticas à organização de um evento de despedida do governador Cláudio Castro no Palácio Guanabara. A cerimônia foi marcada após a decisão de Castro de deixar o cargo nesta segunda-feira (23), um dia antes da retomada, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do julgamento que pode torná-lo inelegível por até oito anos.
O Palácio Guanabara organizou uma solenidade de encerramento de gestão e começou a distribuir convites a aliados no domingo (22). A iniciativa foi alvo de críticas de Paes, que considerou inadequado tratar o momento como celebração diante do contexto político e jurídico envolvendo o governador.
Em manifestação pública, o ex-prefeito afirmou que a saída de Castro não representa um simples fim de mandato, mas sim uma tentativa de escapar de possíveis sanções. Ele também questionou a condução política do grupo do governador e a possibilidade de influência na escolha do próximo chefe do Executivo estadual.
“Encerramento de mandato nada! Trata-se de um governador omisso fugindo da justiça. Fugindo não! Pior! Desrespeitando a justiça com os crimes que cometeu! Não podemos mais permitir que esse tipo de impunidade aconteça. Destruiu com seu grupo o Rio de Janeiro! Não passará impune! E ainda quer fazer o sucessor para continuar aprontando! Tenho certeza de que o TSE não admitirá esse tipo de chicana!”, escreveu o ex-prefeito.
Paes ainda comentou o uso do termo “chicana”, explicando que a expressão costuma ser aplicada a estratégias que buscam retardar ou contornar decisões judiciais por meio de manobras processuais.
Entenda
O ministro Luiz Fux suspendeu pontos das regras aprovadas pela Assembleia Legislativa (Alerj) para a eleição indireta que poderá ocorrer após a saída de Castro. Sem vice-governador, a saída dele abre caminho para que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), Ricardo Couto, assuma interinamente o Executivo e convoque nova eleição em até 30 dias, por meio da Assembleia Legislativa (Alerj).
As normas aprovadas pelos deputados estaduais foram contestadas pelo PSD, partido de Paes, especialmente no que diz respeito ao prazo de afastamento de cargos públicos para candidatos e ao formato de votação. O ex-prefeito também acionou o TSE para impedir a participação do deputado estadual Douglas Ruas (PL), aliado de Castro, na disputa indireta.
Com a decisão de Fux, passam a valer as regras da Lei de Inelegibilidades, que exigem a saída de funções públicas com antecedência mínima de 180 dias para candidatura. Além disso, a votação deverá ocorrer de forma secreta.
Investigação
Cláudio Castro é investigado por supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha de reeleição em 2024. O Ministério Público Eleitoral aponta irregularidades na contratação de servidores por meio da Fundação Ceperj no período eleitoral.
As acusações também envolvem o então vice, Thiago Pampolha, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Exonerações
Em meio à crise, o governador promoveu uma ampla reformulação no secretariado. Onze titulares foram dispensados de seus cargos, abrindo caminho para possíveis candidaturas nas eleições de 2026. As mudanças atingiram áreas estratégicas da administração estadual e foram publicadas oficialmente nesta semana.
Segundo o governo, as alterações fazem parte do calendário eleitoral e são consideradas naturais neste momento.






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