Paes reage a críticas de babalawô a palco gospel no réveillon de Copacabana: ‘Preconceito’

Prefeito do Rio reage a críticas e afirma que celebração de Ano Novo deve acolher todas as tradições religiosas e culturais

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, reagiu neste fim de semana a críticas sobre a inclusão, pelo segundo ano consecutivo, de um palco gospel no réveillon de Copacabana. Em publicações nas redes sociais, Paes afirmou que a festa de Ano Novo é uma celebração de todos os credos e reforçou que a administração municipal busca acolher a diversidade religiosa da cidade, a maior do Brasil.

A decisão de manter um espaço dedicado à música gospel no principal evento de virada do país gerou debates públicos, incluindo manifestações de lideranças de religiões de matriz africana e questionamentos sobre a presença mais explícita de uma tradição religiosa em um evento financiado com recursos públicos.

Um dos críticos, segundo o colunista Ancelmo Gois, do Globo, é o professor e babalawô Ivanir dos Santos, que reconhece a legitimidade da presença evangélica no evento, mas questiona o apagamento simbólico de tradições que historicamente ajudaram a moldar o significado cultural do réveillon carioca.

Tradições que marcaram a virada do Rio

Segundo Ivanir, práticas como o uso de roupas brancas, as oferendas ao mar e os rituais dedicados a Iemanjá foram centrais na construção simbólica da celebração da virada do ano no Rio de Janeiro. Ao longo das décadas, esses elementos se tornaram marcas reconhecidas do réveillon de Copacabana, tanto para moradores quanto para turistas.

Para o babalawô, porém, essas manifestações perderam protagonismo nos últimos anos, especialmente diante da institucionalização de palcos religiosos específicos, como o gospel, sem que haja iniciativas equivalentes voltadas às religiões afro-brasileiras.

Crítica à assimetria, não à presença gospel

Ivanir destaca que sua posição não é contrária à realização de apresentações gospel no réveillon. O ponto central da crítica é o que ele define como assimetria no reconhecimento das diferentes tradições religiosas pela administração pública.

“A diversidade não pode ser apenas um discurso: ela exige práticas concretas de reconhecimento, representação e igualdade no uso do espaço público”, afirma.

Na avaliação do professor, a escolha de um palco exclusivo para a música gospel, sem políticas similares para outras expressões religiosas, transmite a ideia de hierarquização entre crenças, o que contraria o caráter plural que historicamente marcou a festa de Copacabana.

Paes afirma que réveillon é para todos

Em resposta às críticas, Paes ressaltou nas redes sociais que o réveillon carioca deve contemplar a pluralidade de crenças que coexistem na cidade. Segundo ele, a presença de artistas e expressões religiosas diversas é parte da identidade cultural carioca e precisa ser garantida no espaço público.

Em um post no Instagram, Paes escreveu que o espetáculo da virada é uma celebração de “todos os credos”, destacando a importância de abranger diferentes tradições para que ninguém se sinta excluído.

Debate sobre diversidade religiosa e laicidade do Estado

A crítica de Paes ecoa em meio a um debate mais amplo sobre laicidade do Estado e uso do espaço público para eventos religiosos ou ligados à fé. O réveillon de Copacabana é reconhecido como a maior celebração de Ano-Novo do mundo, atraindo milhões de pessoas todos os anos, e historicamente tem incorporado elementos culturais variados da cidade.

Críticos da presença exclusiva de um palco gospel argumentam que a religiosidade no evento deveria refletir a pluralidade de tradições presentes no Rio, incluindo as religiões de matriz africana, cujas práticas — como oferendas ao mar e rituais ligados à virada — fazem parte da história da festa. Paes respondeu que a celebração deve ser “um ponto de encontro” que acolhe todas as vertentes, sem segmentação que privilegie uma crença em detrimento de outras.

Posicionamento e repercussão nas redes

Embora o debate tenha surgido inicialmente em torno da programação musical e religiosa do réveillon, a manifestação de Paes ampliou a discussão para princípios constitucionais relacionados à igualdade religiosa e à laicidade. O prefeito afirmou que não se trata de privilegiar um grupo, mas de garantir celebrações que incluam todas as pessoas, independentemente de sua crença.

A repercussão nas redes sociais foi intensa, com comentários variados de moradores do Rio, religiosos e observadores políticos, que discutem desde a adequação de espaços públicos para manifestações de fé até o papel da administração municipal em equilibrar tradições culturais com demandas de diferentes comunidades religiosas.

Contexto do evento de Ano-Novo

O Réveillon de Copacabana é conhecido por sua grandiosidade e diversidade cultural, reunindo shows, queima de fogos e apresentações que atraem turistas do mundo inteiro. A inclusão de atrações musicais, incluindo palcos com gêneros variados, faz parte da proposta de transformar o evento em um espetáculo multicultural que represente a identidade da cidade.

A discussão sobre o palco gospel e a resposta de Paes colocam em foco a necessidade de encontrar um equilíbrio entre expressão religiosa e respeito à laicidade, reforçando que a diversidade cultural e religiosa do Rio deve ser refletida nos grandes eventos públicos.

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