Master pagou R$ 65 milhões a escritórios ligados a Temer, Lewandowski, Mantega e Rueda

Documentos da CPI revelam repasses milionários a escritórios de ex-presidentes, ministros e dirigentes partidários

Documentos da Receita Federal obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo e encaminhados à CPI do Crime Organizado do Senado expõem uma rede de pagamentos milionários realizados pelo Banco Master. No total, R$ 65 milhões foram transferidos entre 2023 e 2025 para escritórios de advocacia e empresas de consultoria ligados a nomes de peso da política nacional.

Os escritórios de advocacia ligados aos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega foram destinatários de R$ 18,5 milhões e R$ 14 milhões, respectivamente. Já uma consultoria vinculada ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões.

A lista de destinatários estende-se a figuras ligadas ao governo Jair Bolsonaro. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, embolsou 3,8 milhões. Ronaldo Bento, que ocupou o Ministério da Cidadania na mesma gestão, recebeu R$ 773 mil. Ambos os valores constam nas declarações de Imposto de Renda do conglomerado bancário.

Procurado, Wajngarten confirmou sua atuação na defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mas se limitou a afirmar que o contrato possui “cláusulas de confidencialidade”. Ele ressaltou ainda que deixou cargos públicos há mais de cinco anos.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao Governo da Bahia, também aparece nos registros. Sua empresa de consultoria recebeu R$ 5,4milhões. O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, teve seu escritório beneficiado com R$ 6,4 milhões. Em nota, a assessoria de Rueda questionou a origem dos dados fiscais, classificando-os como “supostamente vazados de forma ilícita”, e defendeu a legalidade dos serviços prestados.

Outro nome relevante é o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski. Familiares do magistrado, que deixou a Corte em 2023, receberam R$ 6,1 milhões por meio de escritório vinculado à família.

A equipe de Rueda detalhou os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master: “dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil manifestações nos autos e aproximadamente 400 acordos realizados”. A defesa classificou a atividade como “profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no País”.

As informações foram levantadas a partir de declarações de Imposto de Renda do Banco Master e remetidas à CPI do Crime Organizado, que investiga supostas irregularidades envolvendo instituições financeiras e suas conexões com o sistema político. Os valores revelam um padrão de contratação de serviços jurídicos de alto custo, concentrados em figuras com histórico de atuação nos mais altos escalões do poder público brasileiro.

A investigação continua em andamento no Senado Federal.

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