O prefeito Eduardo Paes (PSD) voltou a utilizar as redes sociais para defender a diversidade dos shows previstos para a festa da virada. Segundo ele, a programação reúne “uma mistura de ritmos tradicionais cariocas com blocos, gospel e música eletrônica”, preservando a identidade cultural do Rio de Janeiro.
Nesta segunda-feira, 29, o prefeito adotou um tom conciliador. Ele pediu desculpas caso tenha se expressado mal e reforçou sua defesa histórica da liberdade religiosa, incluindo as religiões de matriz africana.
Análise com inteligência artificial e ajustes futuros
Paes revelou ainda que recorreu a uma ferramenta de inteligência artificial para analisar a distribuição dos gêneros musicais nos 13 palcos do réveillon. Segundo o levantamento, o gospel representa cerca de 6,25% das apresentações.
A análise também indicou baixa presença de gêneros populares no país, como trap e sertanejo. Diante disso, o prefeito elogiou a equipe responsável pela curadoria, mas admitiu que ajustes poderão ser feitos nos próximos anos, com maior inclusão de ritmos como sertanejo e funk.
Nos últimos dias, a prefeitura passou a ser alvo de críticas por, segundo alguns setores, não garantir espaço equivalente a outras manifestações religiosas no réveillon, como ocorre com o palco gospel.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma investigação para apurar se houve intolerância religiosa na decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de manter, pelo segundo ano consecutivo, um palco dedicado à música gospel na programação oficial do réveillon. O espaço estará localizado na orla do Leme, Zona Sul da cidade, durante a virada para 2026.
Este será o segundo ano em que a cidade contará com um espaço voltado especificamente ao público gospel durante a virada do ano. Entre as atrações confirmadas estão Midian Lima, Samuel Messias, Thalles Roberto e o grupo Marcados Pagode Gospel.
Críticas apontam falta de tratamento igualitário
A polêmica ganhou força após o colunista Ancelmo Gois divulgar a opinião do professor e babalawô Ivanir dos Santos. Para ele, a questão central não é a existência do palco gospel, mas a ausência de políticas que garantam igualdade de tratamento às diversas religiões no uso do espaço público.
“A diversidade não pode ser apenas um discurso, ela exige práticas concretas de reconhecimento, representação e igualdade”, afirmou Ivanir.
Em resposta, Paes afirmou que parte das críticas carrega preconceito contra o público cristão. “O povo cristão também tem direito a celebrar”, escreveu o prefeito. Em outra publicação, alertou que o debate pode acabar “radicalizando uma cidade aberta para todas as crenças”.
Origem do réveillon e raízes religiosas
A celebração da virada do ano à beira-mar no Rio tem origem em práticas de religiões de matriz africana, incentivadas por Tancredo da Silva Pinto, o Tata Tancredo, figura central da cultura carioca. Com o passar do tempo, o festejo se transformou em um grande evento turístico, e os ritos tradicionais foram deslocados para outros locais e datas.
Tata Tancredo, considerado personagem fundamental da história cultural do Rio, será homenageado como enredo da escola de samba Estácio de Sá no carnaval de 2026.






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