Eduardo Paes (PSD) afirmou que, se eleito governador do Rio, pretende iniciar sua política de retomada de territórios dominados pelo crime organizado pelo Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A escolha coloca no centro da estratégia de segurança justamente o principal reduto político de Douglas Ruas (PL), seu adversário na disputa pelo Palácio Guanabara. São Gonçalo é governado por Capitão Nelson (PL), pai de Ruas.
Segurança: Salgueiro seria o primeiro alvo
Paes disse que uma das primeiras medidas seria reunificar o comando da Segurança Pública, aproximando a gestão das polícias do governador e criar o Sistema Único de Segurança. Também prometeu criar 20 mil vagas no sistema prisional e estabelecer uma força-tarefa permanente com órgãos como Coaf, Receita Federal, Ministério Público e Tribunal de Justiça para atingir financeiramente organizações criminosas.
O candidato afirmou que o Complexo do Salgueiro será o ponto inicial de um modelo de retomada territorial que pretende levar a outras áreas dominadas pelo crime. Paes justificou a ação no Salgueiro afirmando que metade de São Gonçalo estaria hoje sob domínio do crime organizado. O MPRJ já classificou o Salgueiro como um quartel-general do Comando Vermelho fora da capital e, em investigação recente, apontou movimentações superiores a R$ 450 milhões atribuídas à organização criminosa na região.
Paes também classificou como “malsucedida” a Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão em outubro de 2025 e que deixou 122 mortos. Para o candidato, faltou um plano de ocupação permanente depois da ação policial, permitindo que criminosos retomassem o controle dos territórios.
Transporte: bilhetagem fora das mãos das empresas
No transporte, Paes prometeu retirar a gestão da bilhetagem das empresas de ônibus, repetindo o modelo adotado na capital com o Jaé. Para ele, não seria possível discutir subsídios e redução das tarifas enquanto as próprias empresas controlarem as informações sobre passageiros e receitas.
“É impossível tratar de subsídio com a raposa cuidando do galinheiro”, afirmou. Paes disse que pretende “acabar com a caixa-preta das empresas de ônibus” antes de definir um novo modelo tarifário e citou como objetivo reduzir o peso das passagens intermunicipais no orçamento da população.
Dívida: cortes e revisão de despesas
Ao tratar das finanças estaduais, Paes disse que pretende repetir a política de ajuste aplicada na Prefeitura do Rio, com cortes de despesas e revisão da estrutura administrativa. O candidato citou medidas adotadas pelo governador Ricardo Couto, incluindo a suspensão do Programa Sentinela, que gerou economia de R$ 2 bilhões.
Paes também mencionou levantamento publicado pela imprensa segundo o qual cerca de R$ 72 bilhões em recursos públicos estaduais aparecem relacionados a investigações e suspeitas de irregularidades na gestão de Claudio Castro.
Educação: promessa de reação no Ideb
Na educação, Paes prometeu melhorar a posição do Rio nos indicadores nacionais e pagar o Piso Nacional do Magistério. O candidato criticou o desempenho da rede estadual e também atacou os resultados de São Gonçalo, administrado pelo pai de Douglas Ruas.
No Ideb mais recente, a rede estadual teve desempenho entre os piores do país no ensino médio, com nota 3,7. O resultado ficou à frente apenas do Distrito Federal e empatado com Amazonas, Amapá e Roraima.
Paes ainda prometeu reajustes aos servidores estaduais e afirmou que os professores terão o piso nacional assegurado em eventual governo.







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