Oruam critica megaoperação no Rio: ‘os verdadeiros bandidos estão em grandes mansões’; vídeo

Trapper lança música após operação policial mais letal da história do RJ e recebe apoio de Memphis Depay, jogador do Corinthians

Por meio de um vídeo publicado em suas redes sociais, o trapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno — conhecido artisticamente como Oruam — afirmou que a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, é “a maior chacina da história do Rio de Janeiro”. A ação, deflagrada na terça-feira (28), resultou, segundo dados oficiais, na morte de 121 pessoas.

Oruam, que é filho de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP — apontado como um dos líderes do Comando Vermelho (CV) —, usou suas redes para criticar duramente as operações policiais e o modo como são tratadas pela mídia e pela sociedade. Além disso, fez uma música criticando a megaoperação e recebeu mensagem de apoio de Memphis Depay, jogador do Corinthians.

Crítica à cobertura e à política de segurança

Em tom de protesto, o cantor afirmou que a imprensa e o público se acostumaram a normalizar a violência nas favelas. “A mídia descobriu que matar bandido vende muito, e essa política é a que mais vende no Rio de Janeiro, no Brasil. A sociedade gosta do banho de sangue, ela usa o bandido como maior vilão para esconder os verdadeiros bandidos que estão em mansões e pagam ao governo para não serem vistos”, declarou.

O artista também afirmou que tanto ele quanto seu pai, Marcinho VP, e os mortos durante o confronto seriam reflexos de uma estrutura social excludente. Oruam tem adotado um discurso cada vez mais político desde o início da semana, quando já havia divulgado nas redes versos e textos em tom de indignação com as ações do Estado nas comunidades.

Repercussão nas redes sociais

A declaração do trapper gerou ampla repercussão nas redes sociais, somando milhares de curtidas e compartilhamentos em poucas horas. Oruam vem sendo tanto criticado por defender uma visão considerada politizada da violência urbana quanto elogiado por parte do público que vê nas suas falas um retrato da desigualdade e da criminalização da pobreza.

A megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha foi a mais letal já registrada no estado, segundo balanço divulgado pelas forças de segurança. A ação envolveu mais de 1.000 agentes e resultou em 113 prisões, 10 apreensões de menores e na coleta de 118 armas — incluindo 93 fuzis —, além de explosivos e drogas.

Música nova

Na quarta-feira (29), o trapper também publicou um vídeo nas redes sociais em que apresenta um trecho de uma nova música feita após a megaoperação no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha.

No vídeo, Oruam aparece ao som de uma base de rap e inicia a composição de forma mais falada do que cantada. Em tom de desabafo, ele reflete sobre o impacto da violência nas comunidades e questiona a eficácia das operações policiais:

“Aí, ‘nós tava’ em um dia tudo normal e do nada a operação começou. Mas a pergunta que não quer calar, fala aí. Será que o crime acabou?”, diz o trapper.

Em seguida, ele prossegue com versos mais duros, relacionando as mortes nas favelas à desigualdade e à omissão do Estado: “Entraram lá na favela e fizeram 100 mães enterrarem seus filhos. E depois, descobriram que o crime de verdade tava lá em Brasília. Lógico que eu vou ser criticado. Nunca que eu vou ver meu povo sangrando e vou ser um covarde.”

Nos versos finais, Oruam retoma o ritmo da batida e encerra com uma mensagem sobre educação e oportunidades: “antes de pensar em matar, pensa em dar educação. Falta de opção fez vários ‘menorzin’ formar na boca.”

A postagem ultrapassou 700 mil curtidas e acumulava quase 30 mil comentários até a manhã desta quinta-feira (30).

Depay manifesta apoio ao trapper

O posicionamento do artista repercutiu entre celebridades e torcedores. Um dos que se solidarizaram com o trapper foi o atacante do Corinthians, Memphis Depay. O jogador enviou uma mensagem direta a Oruam dizendo: “Stay strong in these stressful times. The kids and new generation you can safe them” (“Fique forte nesses tempos difíceis. As crianças e a nova geração, você pode salvá-las”).

Oruam compartilhou o print da conversa e agradeceu o apoio.

Print da mensagem de Depay para Oruam

Megaoperação mobilizou centenas de agentes

A operação conjunta nas comunidades da Penha e do Alemão resultou na prisão de 113 pessoas — 33 deles vindas de outros estados — e na apreensão de 10 adolescentes. Foram recolhidas 118 armas, entre elas 93 fuzis, além de explosivos e drogas.

As autoridades afirmaram que a ação tinha como objetivo desarticular grupos armados ligados ao tráfico de drogas, mas organizações de direitos humanos e moradores denunciaram excessos e pediram investigação sobre as mortes.

Quem é Oruam

Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, de 24 anos, conhecido como Oruam, é uma das vozes mais populares do trap brasileiro. Filho de Márcia Gama e do ex-traficante Marcinho VP — apontado como um dos líderes do Comando Vermelho —, Oruam também é sobrinho de Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.

Criado na Cidade de Deus, zona oeste do Rio, o trapper começou a gravar em 2021 e ganhou projeção nacional no ano seguinte com o hit “Invejoso”, lançado pela gravadora Mainstreet, de Orochi. Em 2024, se apresentou nos palcos do Rock in Rio e do Lollapalooza.

Nas redes sociais, Oruam exibe uma vida marcada por luxo e estilo: joias, carros esportivos, festas e até um gato da raça Savannah F1, avaliado em até R$ 100 mil. No mesmo ano de seu sucesso inicial, foi eleito “Revelação do Trap” pelo portal Sobre Funk.

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