Secretaria do Consumidor proíbe BRB de reter salários com débito automático

Órgão aponta irregularidades em empréstimos e determina mudanças imediatas ao banco

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, determinou a proibição de descontos automáticos em contas de clientes do Banco de Brasília (BRB) relacionados a parcelas de empréstimos. A medida foi publicada na quinta-feira, 9 de abril, após o órgão identificar práticas consideradas irregulares na cobrança desses valores.

Segundo a Senacon, o banco utilizava um mecanismo que, na prática, transformava empréstimos comuns em operações semelhantes ao crédito consignado, com desconto direto na conta salário dos correntistas. Em alguns casos, de acordo com o órgão, havia retenção integral dos rendimentos dos clientes.

Prática irregular apontada

De acordo com a secretaria, o BRB recusava pedidos de suspensão de débitos automáticos vinculados a empréstimos contratados pelos próprios clientes. Com isso, as parcelas eram descontadas diretamente da conta salário, sem possibilidade de bloqueio por parte do correntista.

A Senacon afirma que esse modelo burlava regras do crédito consignado. Isso porque, além de impedir a interrupção dos descontos, os juros aplicados seriam superiores aos praticados nesse tipo de operação e não respeitariam o limite legal de comprometimento de renda, atualmente fixado em 35%.

Determinações ao banco

Na decisão cautelar, a secretaria estabeleceu uma série de obrigações ao BRB. O banco deverá informar, em até 48 horas, por meio do site e do aplicativo, o direito dos clientes de cancelar, a qualquer momento, autorizações de débito automático.

Também foi determinado que, no prazo de 30 dias, a instituição comunique individualmente todos os correntistas com débitos cadastrados, esclarecendo o direito de cancelamento e os canais disponíveis para essa solicitação.

Além disso, o BRB terá que enviar relatórios mensais à Senacon por pelo menos 12 meses, com dados detalhados sobre pedidos de cancelamento, incluindo quantidades, decisões tomadas, justificativas para eventuais recusas e prazos de atendimento.

Monitoramento e impacto

A medida busca ampliar a transparência e garantir maior controle dos consumidores sobre seus recursos. A Senacon informou que o acompanhamento das determinações será contínuo, com base nos relatórios exigidos.

A decisão também reforça o entendimento de que práticas que limitam o acesso do consumidor ao próprio salário e dificultam o cancelamento de cobranças automáticas podem violar direitos básicos previstos nas normas de proteção ao consumidor.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading