Deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) reagiram à eleição de Douglas Ruas (PL) para a presidência da Casa e classificaram o processo como uma manobra regimental e um “golpe” contra a democracia. Ele foi eleito com 45 votos favoráveis e nenhum contrário e será o candidato do PL ao governo do estado nas eleições de outubro.
Partidos como PT, PSD, Psol, PSB, PDT, PCdoB e MDB já haviam anunciado, antes da votação, que recorreriam à Justiça para contestar o processo. Um grupo de 24 deputados acompanhou a votação das galerias da Assembleia.
A estratégia inicial era obter uma liminar com efeito suspensivo para impedir a eleição, mas, sem decisão favorável a tempo, a expectativa agora é de que os efeitos do pleito sejam anulados até o julgamento do mandado de segurança.
Críticas ao processo
A bancada do PCdoB, formada pelas deputadas Dani Balbi e Lilian Behring, além da direção estadual do partido, divulgou nota em que critica a condução da eleição. O grupo aponta que houve ausência de debate e falta de espaço para a oposição se manifestar e apresentar alternativas, classificando o episódio como um duro golpe na democracia.
A deputada Renata Souza (Psol) também criticou a forma como a sessão foi convocada e realizada. Segundo ela, a votação ocorreu sem debate e sem respeito aos parlamentares, apontando que o processo comprometeu o funcionamento democrático da Casa.
Questionamentos sobre o rito
O deputado Professor Josemar (Psol) afirmou que a eleição foi conduzida de forma atabalhoada e sem observância dos ritos regimentais e das decisões judiciais. Ele destacou que a escolha ocorreu em um curto intervalo de tempo e mencionou a determinação do Judiciário para nova contagem da composição da Casa após a cassação do ex-presidente.
Josemar afirmou ainda que a oposição optou por não participar da votação como forma de protesto e questionou a legitimidade do processo. Segundo ele, a condução do pleito desconsiderou o espaço democrático e os procedimentos previstos.
Reação política
A deputada Marina do MST (PT) avaliou que a votação representou uma afronta às instituições democráticas, incluindo o Parlamento estadual, o Judiciário e a população do estado. Ela defendeu a necessidade de reafirmação do papel do Legislativo no respeito às regras democráticas.
Já o líder do PT na Alerj, deputado Renato Machado, afirmou que a eleição ocorreu sem respeito aos prazos regimentais e confirmou que o partido também ingressou na Justiça pedindo a nulidade do processo.






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