Dias depois de enfrentar uma onda de críticas e rumores políticos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o secretário de Polícia Militar e comandante geral da corporação, coronel Marcelo de Menezes, aproveitou sua participação no programa Jogo do Poder, da rede CNT, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno, para responder aos questionamentos, reafirmar sua fidelidade ao governador Cláudio Castro e defender com firmeza a Operação Contenção — ação que resultou em 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão e é considerada por ele a maior operação de segurança da história do país. O programa vai ao ar neste domingo (16), às 23h15.
Logo no início da entrevista, gravada nos estúdios do Correio da Manhã, Menezes destacou que a megaoperação rompeu paradigmas ao unir inteligência, tecnologia e integração entre Polícia Militar e Polícia Civil. Ele classificou como “realidade burra” a rivalidade histórica entre as duas corporações e disse que sob sua gestão isso não será tolerado, enfatizando que a articulação com o delegado Felipe Curi é fundamental.
Atrito com a Alerj e recado político
Durante a conversa, Menezes foi questionado sobre o clima tenso com deputados estaduais, que chegaram a especular uma suposta candidatura dele. O coronel negou qualquer projeto eleitoral neste momento e afirmou ter “fidelidade total” ao governador Cláudio Castro. Ele disse respeitar o trabalho legislativo, mas minimizou a crise:
“Vejo com naturalidade. Tenho relação amistosa com a Alerj. Não é hora de discutir política”, afirmou.
Menezes ressaltou que seu foco está em entregar resultados imediatos na segurança pública, especialmente após críticas de parlamentares ao modelo operacional da PM e aos efeitos da megaoperação.
Tecnologia, drones e cumprimento da ADPF 635
O comandante reforçou que a preparação para a Operação Contenção durou mais de dois meses, com uso intensivo de drones, georreferenciamento de vielas e estudo de relatórios da quadrilha que controla a região. Segundo ele, cada patrulha saiu com missão específica para cercar o território e empurrar criminosos para a mata, evitando confrontos em áreas habitadas por mais de 280 mil moradores.
🚨 OPERAÇÃO CONTENÇÃO | Em entrevista ao programa Jogo do Poder, secretário da Polícia Militar reforça a legitimidade da Operação Contenção, defende a integração entre polícias e anuncia novas ações contra o Comando Vermelho pic.twitter.com/4xqXx3B29M
— Agenda do Poder (@agendadopoder) November 14, 2025
Sobre o cumprimento da ADPF 635, Menezes disse que se reuniu com o ministro Alexandre de Moraes e garantiu que todas as premissas foram observadas, inclusive o uso proporcional de câmeras corporais e equipes paramédicas em oito ambulâncias — duas delas blindadas.
Expansão das facções e novas ações no curto prazo
Menezes afirmou que o Comando Vermelho se tornou “hegemônico” no Rio por ter maior poder bélico e econômico, e por tratar o crime como um “business” territorial que aumenta lucros. A Operação Contenção, disse, é a resposta do Estado para barrar esse avanço. Novas ações com o mesmo formato estão previstas para os próximos dias, embora ele não tenha revelado datas.
A reocupação de territórios, determinada pelo STF, começará pelo corredor Itanhangá e caberá não apenas às polícias, mas também a outros entes públicos que, segundo Menezes, “historicamente assistem da arquibancada” o problema da segurança.
Apoio da população e viagem à El Salvador
O coronel citou pesquisas que apontam que 87,6 por cento dos moradores de comunidades apoiam a operação e pedem que seja replicada. Para ele, isso desmonta críticas de que ações desse tipo seriam rejeitadas pelas favelas:
“A população não aguenta mais”, afirmou.
No fim da entrevista, Menezes confirmou uma viagem a El Salvador ao lado do senador Flávio Bolsonaro e do chefe da Polícia Civil, Felipe Curi, para conhecer a estratégia de segurança do presidente Nayib Bukele e avaliar o que pode ser adaptado ao Rio. A informação foi antecipada com exclusividade pelo blog do jornalista Ricardo Bruno no Agenda do Poder. A viagem, contudo, foi cancelada por determinação do secretário de Segurança Pública, Victor Cesar dos Santos, para que os auxiliares permanecessem no Rio planejando as próximas operações.
Menezes encerrou dizendo que policiais são “o último limite entre o bem e o mal” e que sua gestão busca devolver paz ao estado. Segundo o coronel, apesar das pressões políticas e das críticas da Alerj, a Operação Contenção marca o início de uma virada que pode redefinir a segurança pública no Rio de Janeiro.
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