O que se sabe sobre morte do secretário de Queimados baleado por PMs na Avenida Brasil

Cinco policiais foram afastados pela morte de Jefferson da Linave atingido por disparos durante uma abordagem policial na Zona Norte do Rio

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O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, de 51 anos, morreu após ser baleado por policiais militares na noite de segunda-feira (19), na Avenida Brasil, na altura da Penha, Zona Norte do Rio.

Imagens gravadas por motoristas registraram os policiais atirando em direção ao carro do secretário. Cinco dos seis policiais que participaram da ocorrência foram afastados por determinação do governador em exercício, Ricardo Couto, e quatro deles admitiram ter efetuado disparos.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso, e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar também abriu um procedimento interno para apurar a conduta dos agentes.

Veja o que se sabe sobre o caso e o que ainda falta esclarecer.

Quem era Jefferson da Linave?

Jefferson Dias da Silva era secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados, na Baixada Fluminense. Filiado ao Democracia Cristã (DC), era casado com Cíntia Belchior e deixa uma filha.

A carreira política de Jefferson começou em 2004, quando concorreu pela primeira vez a uma vaga na Câmara Municipal de Queimados, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Na ocasião, conquistou pouco mais de 800 votos e conseguiu se eleger vereador.

Quatro anos depois, em 2008, voltou a vencer a disputa eleitoral e garantiu mais um mandato no Legislativo municipal. Em 2010, tentou ampliar sua atuação política ao concorrer a uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito. Em 2020, ele retornou a política quando conquistou novamente uma vaga na Câmara de Vereadores de Queimados.

Na eleição municipal de 2024, tentou permanecer no Legislativo, mas não conseguiu votos suficientes para se reeleger. Depois dissom acabou nomeado secretário pelo prefeito Glauco Kaizer (União) para comandar a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, função que exercia quando morreu.

O prefeito lamentou a morte do secretário e acompanhou a perícia na cena do crime. A Prefeitura de Queimados decretou luto oficial de três dias, entre terça-feira (20) e quinta-feira (22).

Onde aconteceu a ocorrência?

Jefferson morreu na Avenida Brasil, nas proximidades da estação do BRT Marinha Mercante, na Penha, Zona Norte do Rio, na noite de segunda-feira (19). Ele dirigia sozinho um BYD branco e voltava de um compromisso na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Não se sabe, porém, qual era o destino do secretário.

Segundo os relatos apresentados pelos policiais à Polícia Civil, a equipe do 22º BPM (Maré) recebeu pelo rádio informações sobre um veículo que trafegava em alta velocidade e estaria com uma das rodas aparentemente em chamas.

Os agentes afirmaram que tentaram abordar o motorista em diferentes pontos da via, mas ele não teria obedecido às ordens de parada. Durante o acompanhamento, o carro teria passado por pontos de bloqueio policial.

Nas proximidades da Passarela 14, uma viatura interceptou o BYD. O veículo perdeu o controle, rodou na pista e bateu na mureta de proteção. Os policiais relataram que, depois da colisão, o motorista ainda teria tentado manobrar o carro de marcha a ré. Os agentes disseram ter efetuado novos disparos contra os pneus.

Quando foram verificar, encontraram Jefferson morto dentro do veículo, atingido pelos tiros.

O que mostram os vídeos?

Imagens gravadas por motoristas que passavam pela Avenida Brasil registraram parte da ação policial. Nos vídeos, é possível ver agentes atirando em direção ao veículo de Jefferson.

Em um dos registros, o carro aparece cercado por policiais e viaturas. Os disparos também podem ser ouvidos nas gravações.

O automóvel ficou com diversas marcas de tiros. As imagens serão confrontadas com os depoimentos dos agentes e os resultados das perícias para ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrência.

O que disseram os policiais?

Os policiais afirmaram que receberam informações sobre um BYD branco em alta velocidade e com uma das rodas aparentemente em chamas.

Segundo os depoimentos, durante a tentativa de abordagem, o motorista não teria obedecido às ordens de parada. Um dos agentes declarou que ouviu disparos e atirou contra uma das rodas traseiras do veículo.

Os policiais também relataram ter ouvido novos tiros durante o acompanhamento, nas proximidades de acessos à comunidade da Nova Holanda, no Complexo da Maré. A equipe afirmou ter reagido.

Depois da colisão, os agentes disseram que o motorista tentou manobrar o veículo para fugir e que, por isso, voltaram a atirar contra os pneus.

Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que apoiavam a ocorrência, também relataram ter ouvido disparos. Um deles afirmou ter efetuado sete tiros com um fuzil calibre 7,62 mm e afirmou que fez isso diante de “uma situação de perigo iminente”.

Quantos PMs participaram e quantos foram afastados?

Seis policiais militares participaram da ocorrência. Por determinação do governador em exercício, Ricardo Couto, cinco foram afastados das atividades operacionais. Entre os afastados, quatro são do 22º BPM e um pertence ao Batalhão Tático de Motociclistas.

Segundo as informações, quatro agentes admitiram ter efetuado disparos. A situação do sexto policial que participou da ocorrência não foi detalhada.

As armas utilizadas pelos policiais foram apreendidas e encaminhadas para perícia. O governo estadual afirmou que o episódio exige uma apuração rigorosa, célere e transparente, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da morte e identificar eventuais responsabilidades.

O que disse a mulher do secretário?

A mulher de Jefferson, Cíntia Belchior, relatou à Polícia Civil que o marido havia consumido bebida alcoólica em um quiosque na Barra da Tijuca, na tarde de segunda-feira (19), horas antes de morrer.

Segundo o depoimento, Jefferson telefonou para ela durante a tarde e reclamou que algumas pessoas estavam “brigando com ele”. A mulher afirmou não compreender o que estava acontecendo.

Ela também relatou que acompanhava o trajeto do marido em direção a Queimados.

Prefeito de Queimados procura o governador

Durante a despedida de Jefferson, na terça-feira (20), o prefeito Glauco Kaizer afirmou que conversou com o governador em exercício, Ricardo Couto, e pediu esclarecimentos sobre a abordagem.

Segundo Kaizer, familiares relataram que uma das viaturas envolvidas estaria com o giroflex desligado. O prefeito disse ter levado a informação ao governador, que teria garantido uma apuração rigorosa. A informação sobre o giroflex ainda depende de confirmação pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Como está a investigação?

A Delegacia de Homicídios da Capital instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Os policiais envolvidos e a mulher de Jefferson foram ouvidos.

A perícia foi realizada no local, e as armas utilizadas pelos agentes foram apreendidas. A Polícia Civil também vai analisar as imagens das câmeras corporais dos policiais, além dos vídeos gravados por testemunhas.

Entre as diligências previstas estão:

Análise das imagens das câmeras corporais e de outros registros da ocorrência;

Perícia nas armas utilizadas pelos policiais;

Exames de confronto balístico, se tecnicamente possível;

Análise dos exames realizados no corpo de Jefferson;

Esclarecimento da origem dos disparos relatados pelos agentes.

A Corregedoria-Geral da Polícia Militar também abriu uma investigação interna para apurar a conduta dos policiais e verificar se houve descumprimento dos protocolos de abordagem.

O que ainda falta esclarecer?

Apesar dos depoimentos e das imagens já divulgadas, pontos importantes permanecem sem resposta:

  • Qual arma provocou a morte de Jefferson? A investigação ainda precisa identificar de onde partiu o disparo fatal.
  • De quais armas partiram os demais tiros? Os exames balísticos poderão ajudar a determinar a origem dos disparos que atingiram o veículo e o secretário.
  • De onde vieram os tiros relatados pelos policiais? A origem dos disparos que os agentes afirmaram ter ouvido durante o acompanhamento ainda não foi esclarecida.
  • Jefferson estava armado? Até o momento, não há confirmação de que o secretário portasse uma arma.
  • Os protocolos de abordagem foram respeitados? A Polícia Civil e a Corregedoria da PM apuram se houve irregularidades na atuação dos agentes.
  • A viatura estava com o giroflex desligado? A informação relatada pela família e levada pelo prefeito ao governador ainda precisa ser confirmada.

Quando foram o velório e o enterro?

O velório de Jefferson ocorreu na terça-feira (20), na Capela A do Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O sepultamento foi realizado no mesmo dia, por volta das 16h45. Mais de cem pessoas acompanharam a despedida do secretário.

A morte também repercutiu na Câmara Municipal do Rio, onde vereadores fizeram um minuto de silêncio em homenagem a Jefferson.

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