Após morte de secretário, prefeito de Queimados alerta governador sobre viatura com giroflex desligado

Glauco Kaizer afirmou ter conversado com Ricardo Couto e pediu esclarecimentos sobre a morte de Jefferson da Linave, atingido por tiros durante abordagem na Avenida Brasil; Mais de cem pessoas acompanharam despedida do ex-vereador e secretário municipal

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A morte do secretário de Desenvolvimento Econômico de Queimados, Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, levou o prefeito Glauco Kaizer (União) a cobrar esclarecimentos diretamente do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto. Durante o sepultamento do secretário, nesta terça-feira (20), Kaizer revelou que conversou com o governador pela manhã e recebeu a garantia de que a atuação dos policiais militares envolvidos será investigada rigorosamente.

Jefferson morreu na noite de segunda-feira (19), depois que o carro que dirigia foi atingido por disparos de policiais militares durante uma abordagem na Avenida Brasil, na altura de Bonsucesso, na Zona Norte do Rio.

O prefeito afirmou ter informado ao governador sobre o relato da família de que uma das viaturas utilizadas na abordagem estaria com o giroflex desligado. A informação ainda depende de confirmação pelas autoridades responsáveis pela investigação.

“Uma perda irreparável. Grande amigo. Falei com o governador hoje cedo e ele garantiu que será uma apuração rigorosa”, declarou Kaizer, durante o velório realizado no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Prefeito cobra responsabilização dos envolvidos

Kaizer defendeu que eventuais irregularidades cometidas durante a operação sejam esclarecidas e que os responsáveis respondam por seus atos, caso seja comprovada alguma conduta inadequada.

“Alertei a ele sobre a abordagem policial, com o giroflex desligado. Encontrando a culpa, esperamos que os agentes públicos arquem com essa situação”, afirmou.

O prefeito também destacou a relação de amizade que mantinha com Jefferson, que já havia exercido mandato de vereador em Queimados.

“É o cara mais tranquilo que já conheci na minha vida”, disse.

Mais de cem pessoas acompanharam a despedida do secretário. O sepultamento foi marcado por uma salva de palmas e manifestações de familiares e amigos, que cobraram respostas sobre as circunstâncias da morte.

Amigo de Jefferson havia 18 anos, Marcelo Matos lamentou a perda e questionou a atuação dos agentes públicos.

“Nada vai trazer ele de volta. Mas que fique o recado: quantas famílias ainda vão sofrer pelo despreparo do Estado? Por mais que a Justiça seja feita, não paga”, declarou.

Cinco policiais foram afastados

Após a morte do secretário, o governador em exercício determinou o afastamento dos cinco policiais militares envolvidos na ocorrência.

A Polícia Civil também ordenou a apreensão das armas utilizadas pelos agentes, que deverão ser examinadas durante a investigação.

Jefferson dirigia um BYD branco quando foi atingido pelos disparos. Imagens divulgadas após o episódio mostram momentos da ação policial e o veículo perdendo o controle na Avenida Brasil.

Os registros deverão ajudar os investigadores a esclarecer a sequência dos acontecimentos e verificar se os procedimentos adotados pelos militares foram adequados.

Entenda como ocorreu a abordagem

Segundo a versão apresentada pelos policiais, a ocorrência começou por volta das 20h de segunda-feira, quando equipes do 22º BPM (Maré) receberam pelo rádio informações sobre a movimentação considerada suspeita de um BYD branco.

Os agentes afirmaram que localizaram o veículo e determinaram que o motorista desligasse o motor e desembarcasse, mas a ordem não teria sido atendida.

Ainda de acordo com os militares, disparos foram ouvidos nas proximidades do acesso à comunidade Nova Holanda. Os policiais alegaram que, diante da percepção de risco, atiraram contra um dos pneus do automóvel.

Jefferson teria seguido pela Avenida Brasil, dando início a uma perseguição. Conforme o relato dos agentes, o secretário passou por dois pontos de bloqueio antes de ser interceptado por viaturas na altura da passarela 14.

Os policiais afirmaram que o motorista perdeu o controle do carro após ser fechado por uma viatura e bateu contra uma mureta de proteção. Também relataram que ele tentou dar marcha à ré para escapar da abordagem.

Essa versão será confrontada com imagens, depoimentos e demais provas reunidas pela Polícia Civil.

A investigação deverá esclarecer a origem dos disparos, as circunstâncias em que Jefferson foi atingido e se houve falhas na conduta dos agentes.

A morte do secretário provocou manifestações de pesar em Queimados e levou familiares, amigos e autoridades municipais a cobrar uma apuração capaz de esclarecer o que aconteceu na Avenida Brasil.

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