O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (22), em entrevista ao Jornal Nacional, que os números da economia são fantásticos. A declaração foi em resposta à pergunta sobre indicadores como a taxa de inflação, que mais que dobrou durante a gestão de Bolsonaro, a taxa de juros, que dobrou, e a cotação do dólar, que passou de R$ 3,90 para mais de R$ 5. “Os números da economia são fantásticos, levando-se em conta o resto do mundo. Se fosse apenas o Brasil com esse problema, eu seria o responsável”, disse Bolsonaro.
Com uma inflação em 12 meses de 10,07% até julho, o Brasil tem a quarta maior taxa do G20, grupo dos 19 países mais ricos e um bloco com integrantes da União Europeia, segundo levantamento da empresa de análises e tecnologia financeira Quantzed. Tem também a maior taxa de juros reais entre 40 países. Segundo Bolsonaro, as promessas feitas em 2018 de manter inflação, juros e dólar em patamares baixos foram frustradas pela pandemia, por “uma seca enorme” registrada em 2021 e pelo “conflito entre a Ucrânia e a Rússia”. “Se pegar dados de hoje, você vê o Brasil como, talvez, o único país do mundo com deflação, um país que vai ter inflação menor que Inglaterra e Estados Unidos. Vê também que a taxa de desemprego tem caído no Brasil”, declarou, para justificar os “números fantásticos”. O IPCA de julho foi de fato negativo, de -0,68%, mas outros quatro países tiveram desaceleração da inflação: Armênia, Espanha, Grécia e Luxemburgo.
Segundo Bolsonaro, para tentar cumprir as promessas num segundo mandato, o caminho será “continuar na política que vimos fazendo desde 2019”. Bolsonaro chamou de “a grande vacina” para a economia “reformas como a da Previdência, a Lei da Liberdade Econômica, a modernização das NRs, das normas regulamentadoras”. Bolsonaro também disse em sua exposição final que o preço da gasolina “caiu assustadoramente” e fez um aceno ao agronegócio dizendo ter “pacificado o MST”. Questões como o equilíbrio das contas públicas para evitar o crescimento da dívida em relação ao PIB ou sobre o aumento da fome no país não foram abordadas na entrevista.
Bolsonaro foi o primeiro a ser entrevistado pelo Jornal Nacional, entre os candidatos mais bem colocados postulantes à Presidência da República. Ao longo da semana, também serão recebidos os candidatos Ciro Gomes, do PDT (23, terça), Luiz Inácio Lula da Silva, do PT (25, quinta) e Simone Tebet, do PMDB (26, sexta).






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