Novo vazamento em mina da Vale atinge rio Maranhão em Congonhas

Este é o segundo extravasamento em menos de 24 horas envolvendo minas da Vale em Congonhas

Um novo vazamento de água foi registrado, hoje (26) em uma mina da Vale em Congonhas, na região Central de Minas Gerais. Desta vez, o extravasamento ocorreu na mina Viga, localizada na estrada do Esmeril, conforme informou a prefeitura. A Defesa Civil confirmou que a água atingiu o rio Maranhão.
Segundo o município, não houve bloqueio de vias nem impacto direto sobre comunidades. O dano identificado até o momento é de natureza ambiental.
Este é o segundo extravasamento envolvendo minas da Vale em Congonhas em menos de 24 horas. Ontem (25), houve o rompimento de uma barreira de contenção de água na mina de Fábrica, situada a cerca de 22 quilômetros da mina Viga.
No caso da mina de Fábrica, o material ultrapassou o dique Freitas, carreando sedimentos e rejeitos de mineração. Apesar dos impactos ambientais, não houve registro de vítimas.
Ao todo, vazaram cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e resíduos do processo de beneficiamento. O material atingiu áreas da mineradora CSN, causando danos materiais, antes de alcançar o rio Goiabeiras, que corta parte da zona urbana de Congonhas e deságua no rio Maranhão, já na região central da cidade.
A CSN informou que o rompimento provocou o alagamento de setores da unidade Pires, em Ouro Preto, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque. Em nota, a empresa afirmou que suas estruturas de contenção de sedimentos seguem operando normalmente e que acompanha a situação.
O rio Goiabeiras é afluente do rio Maranhão, que, por sua vez, deságua no rio Paraopeba — o mesmo atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019.
Diante dos episódios, foi instalada uma sala de crise com a participação das Defesas Civis de Congonhas e Ouro Preto, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), do Corpo de Bombeiros, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e do Ministério Público de Minas Gerais.
Em nota, o secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Lobo, alertou para as consequências do aumento da turbidez da água. Segundo ele, os impactos incluem perda significativa de biodiversidade, redução da qualidade da água, assoreamento dos rios e aumento do risco de enchentes. Lobo destacou ainda a possibilidade de toxicidade do material carreado e os danos às matas ciliares, com efeitos que podem se intensificar nos próximos meses.
Após o rompimento na mina de Fábrica, a prefeitura aplicou um auto de infração à Vale, passível de conversão em multa. De acordo com o secretário, embora a estrutura não seja uma barragem, ela apresentava potencial para causar graves danos ambientais e sociais, além de riscos à vida, e não contava com monitoramento adequado.
Em comunicado ao mercado divulgado nesta quinta-feira (26), a Vale informou que os extravasamentos registrados nas minas de Congonhas e Ouro Preto foram contidos. A empresa afirmou que não houve feridos nem impactos às comunidades próximas e que os episódios não têm relação com barragens da companhia, que permanecem estáveis e monitoradas continuamente.
A mineradora também declarou que não houve carreamento de rejeitos, apenas de água com sedimentos, e reforçou que realiza inspeções e manutenções preventivas, intensificadas durante o período chuvoso. As causas dos extravasamentos, segundo a Vale, estão sendo apuradas e os aprendizados serão incorporados aos planos de contingência da empresa.

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