O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu que o atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, Olavo Noleto, será o próximo ministro das Relações Institucionais, em substituição a Gleisi Hoffmann (PT), que deixará o governo para concorrer a uma vaga no Senado. Noleto foi secretário de Comunicação em Maricá e depois assumiu a presidência da Codemar (Companhia de Desenvolvimento de Maricá) na gestão do prefeito Fabiano Horta.
A troca faz parte de uma reconfiguração mais ampla da Esplanada dos Ministérios, motivada pelo calendário eleitoral. Ministros e auxiliares que pretendem disputar cargos nas eleições de outubro precisam deixar seus postos até o início de abril, seis meses antes do pleito.
Gleisi, que hoje comanda a articulação política do governo, confirmou a escolha de Noleto e afirmou esperar uma transição “tranquila” até março. Em entrevista à CNN Brasil, nesta segunda-feira (26), a petista disse que deixará o cargo para atender a um pedido direto de Lula, que quer vê-la novamente na disputa pelo Senado no Paraná.
Perfil político e experiência no Planalto
A escolha de Olavo Noleto levou em conta seu perfil político e sua experiência acumulada em diferentes áreas do governo federal. Antes de assumir o comando do Conselhão, ele foi secretário-executivo do próprio Ministério das Relações Institucionais durante a gestão de Alexandre Padilha (PT), período em que chegou a chefiar a pasta interinamente.
Noleto também ocupou cargos estratégicos nos governos Lula e Dilma Rousseff, como secretário de Assuntos Federativos da Presidência da República entre 2009 e 2015 e secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social do Planalto entre 2015 e 2016. Fora do governo federal, passou por administrações municipais em Maricá (RJ), Aparecida de Goiânia (GO) e Goiânia (GO), além de integrar conselhos de estatais como a Transpetro e a EBC, segundo seu currículo.
No início do atual governo, Noleto chegou a ser cogitado como possível candidato a deputado federal pelo PT de Goiás, mas acabou permanecendo no Executivo. Dentro do Planalto, seu histórico de diálogo com o Congresso foi considerado decisivo para assumir a função em um momento de transição política.
Relação com o Congresso e preocupação com emendas
Embora parlamentares reconheçam que o perfil ideal para o cargo seria o de alguém com longa trajetória política em Brasília, líderes ouvidos pela reportagem avaliam que a maioria dos nomes com esse histórico estará envolvida diretamente na disputa eleitoral, o que limita as opções do presidente.
Congressistas também apontam que o calendário de pagamento das emendas parlamentares de 2026, aprovado no fim do ano passado, tende a reduzir atritos entre o Congresso e o Executivo, já que haverá menos margem para negociações de última hora — tema central da atuação do Ministério das Relações Institucionais.
Ainda assim, há preocupação no Legislativo sobre a manutenção de acordos firmados com Gleisi para acelerar o pagamento de emendas informais, recursos sob controle do governo federal cujo destino é negociado com parlamentares. Integrantes do Congresso querem saber se o sucessor manterá os mesmos compromissos.
Outras baixas na articulação política
A pasta de Relações Institucionais também deve perder outros quadros importantes por causa das eleições. O secretário de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano (PT), é cotado para disputar uma vaga de deputado estadual no Rio de Janeiro. Já o secretário de Assuntos Federativos, Júlio Pinheiro, e a secretária-executiva do Conselho da Federação, Moema Gramacho, são citados como possíveis candidatos a cargos eletivos.
As mudanças não se limitam à articulação política. Lula e a cúpula do governo discutem, nas últimas semanas, a substituição de ministros que devem deixar o Executivo para disputar eleições ou atuar diretamente em campanhas estaduais.
Fazenda e Casa Civil no radar
Na Casa Civil, a saída de Rui Costa (PT), provável candidato ao Senado na Bahia, é dada como certa em abril. A principal cotada para assumir o comando da pasta é a atual secretária-executiva, Miriam Belchior, nome de peso histórico nos governos petistas e ex-ministra do Planejamento na gestão Dilma Rousseff.
Na Fazenda, o cenário mais provável é a substituição de Fernando Haddad por seu secretário-executivo, Dario Durigan, visto internamente como uma espécie de “CEO” do ministério. Durigan tem o apoio de Haddad e ganhou a confiança de Lula. O atual ministro já afirmou que pretende deixar o cargo antes de março, embora resista à pressão do PT para disputar o governo de São Paulo.
Outras trocas também são avaliadas, como uma eventual substituição no Ministério da Educação, hoje comandado por Camilo Santana (PT), embora esse movimento seja considerado menos certo.
Estratégia eleitoral de Lula
A estratégia do presidente é clara: incentivar aliados com força política regional a deixarem o governo para disputar eleições, fortalecendo a base aliada no Congresso a partir de 2027, caso seja reeleito. Ao mesmo tempo, Lula tenta minimizar os impactos administrativos da saída de quadros centrais, apostando em secretários-executivos experientes para garantir continuidade à gestão.
Aliados do presidente avaliam que o maior desafio será evitar que a transição provoque perda de eficiência em áreas-chave do governo, o que poderia afetar o capital político de Lula em um cenário de tentativa de reeleição.






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