Nova gestão do Hospital do Fundão promete reabertura de leitos e reformas

Compromisso é o de reabrir 36 vagas nos próximos cem dias e 146 até o primeiro semestre de 2025

O complexo de saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), incluindo o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Fundão), o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira e a Maternidade Escola, passa a ser administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). A nova administração, iniciada este mês, promete reabrir leitos, realizar obras estruturantes e normalizar contratos de insumos, visando resgatar a qualidade dos serviços, afetada por uma crise orçamentária que reduziu drasticamente a capacidade de atendimento.

Arthur Chioro, presidente da Ebserh, anunciou ao Globo que 36 vagas de internação serão reabertas nos próximos cem dias. Nova gestão do Hospital do Fundão promete reabertura de leitos e reformas

No Clementino Fraga, 146 leitos devem ser reabertos até o fim do primeiro semestre de 2025. As melhorias serão financiadas pelo aumento do orçamento das unidades, que este ano devem receber R$ 340 milhões, um incremento de 161% em relação aos R$ 130 milhões previstos anteriormente.

Chioro destacou a necessidade de fortalecer o atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) e aumentar a capacidade de diagnósticos de câncer, procedimentos oftalmológicos e tratamentos intensivos. Com mais leitos de UTI, será possível realizar mais cirurgias complexas.

A Ebserh, que gere 45 hospitais universitários federais com cerca de 9,1 mil leitos, planeja usar a rede da UFRJ para reduzir a fila de tratamento do câncer no Rio e melhorar diagnósticos. A interligação dos sistemas das 45 unidades permite que exames sejam analisados por especialistas de outros estados rapidamente. A nova gestão também promete investir no tratamento de doenças raras e na especialização em pré-natal de homens trans e pacientes bariátricos.

Para otimizar a operação das unidades da UFRJ, serão contratados 1.243 funcionários em regime CLT. O plano é substituir, a curto prazo, os cerca de 800 funcionários extraquadros e, a longo prazo, com as aposentadorias, todos os servidores concursados por celetistas. Segundo Chioro, o novo modelo de gestão permite maior eficiência nas compras e agilidade na substituição de vagas ociosas, com possibilidade de contratação de prestadores de serviços quando necessário.

No entanto, a nova gestão enfrenta críticas do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação da UFRJ. Laura Gomes, técnica de enfermagem e coordenadora do sindicato, expressou preocupação com a segurança dos profissionais que serão substituídos e destacou a necessidade de um ambiente de trabalho de qualidade para garantir um bom atendimento.

O governo federal aprovou a liberação de até R$ 115 milhões via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras estruturantes no complexo hospitalar. No Clementino Fraga, parte dos recursos será utilizada para reformar os elevadores e melhorar a parte elétrica. Além disso, o laboratório de pesquisa para a vacina contra a tuberculose, fechado há cerca de três anos devido a problemas no sistema elétrico, também será beneficiado.

Amâncio Paulino de Carvalho, superintendente-geral do Complexo Hospitalar da UFRJ, destacou a necessidade de reformas nas enfermarias, onde há um banheiro para cada seis leitos, quando a proporção ideal é um sanitário para dois pacientes. A falta de conforto afeta principalmente os pacientes idosos, que têm direito a acompanhante.

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