Hospital universitário da UFRJ já apresenta melhorias e mais profissionais trabalhando, mas ainda mostra problemas na infraestrutura

Durante esses três meses, as principais prioridades foram a contratação de novos profissionais, a reabertura de leitos e a compra de insumos essenciais para o funcionamento das unidades

Desde o dia 6 de maio, quando foi firmado o contrato de gestão compartilhada, o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (Fundão), o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, e a Maternidade Escola, todos pertencentes à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passaram a ser geridos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que é vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Na última segunda-feira, o presidente da Ebserh, Arthur Chioro, apresentou um balanço referente aos primeiros cem dias dessa nova administração.

Durante esses três meses, as principais prioridades foram a contratação de novos profissionais, a reabertura de leitos e a compra de insumos essenciais para o funcionamento das unidades. No entanto, a infraestrutura dos hospitais, que há anos sofre com o descaso, ainda necessita de significativas melhorias. Em muitos locais, o prédio, que tem quase 50 anos, apresenta áreas deterioradas e depósitos de sucata, evidenciando o abandono de décadas.

Entre as principais ações da nova gestão estão a contratação de 424 profissionais de saúde e o investimento de mais de R$ 50 milhões em insumos hospitalares. Houve também a renovação do Parque Tecnológico com a aquisição de 760 computadores, um investimento de R$ 258 mil. Além da ampliação de 13% de leitos, inicialmente eram 331 vagas e foram para 375, sendo 44 novos leitos. Desses, 27 estão ativos, com seis deles na área de cardiologia, nefrologia e hematologia. Enquanto 17 unidades seguem fechadas aguardando data de abertura. Daqui a um ano, está prevista a abertura de mais 120 leitos.

Novos equipamentos para patologia, cirurgias oftalmológicas e um tomógrafo também foram adquiridos. No Hospital Clementino Fraga Filho, foram abertas mais 45 vagas semanais para cirurgias de catarata. A Maternidade Escola expandiu a oferta de laqueaduras, passando a realizar 50 procedimentos por mês.

Arthur Chioro havia previsto como meta a reabertura de 36 leitos de internação nos primeiros cem dias. Agora, ele afirma que, até outubro, com o avanço das licitações, devem ter início as obras em áreas críticas, como a dos elevadores, cuja metade está inoperante.

— O diagnóstico mostrou que a situação era mais grave do que imaginávamos e exigia uma série de intervenções. Vamos resolver essa situação dramática e vergonhosa — afirmou Chioro.

A Ebserh também anunciou que deverá receber mais de R$ 115 milhões em investimentos do Novo PAC, R$ 211 milhões do Programa Nacional de Qualificação e Ampliação dos Serviços Prestados por Hospitais Universitários Federais (PRHOSUS), além de R$ 130 milhões em emendas parlamentares solicitadas para 2025.

— O uso dos recursos do PAC depende de projeto arquitetônico. Estamos, nesse momento, terminando a contratação da empresa que vai fazer os projetos. Se ele já tivesse pronto, já começaria a usar o recurso, mas não consigo licitar uma obra sem o projeto de arquitetura. Algumas outras questões estão sendo feitas em paralelo. Por exemplo, a troca dos elevadores. O diagnóstico que a gente fez é mais grave do que a gente tinha de informação. Em quatro deles, não dá para fazer sequer retrofit. Vão ter que ser trocados totalmente. Se tudo der certo na licitação, devemos começar em outubro — complementou o presidente da Ebserh.

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades. Trata-se de uma estatal com 65 mil trabalhadores e presente em 25 estados. São mais de 9 mil leitos, 203 mil cirurgias/ano, mais de 55 mil alunos graduação, mais de 8.500 residentes e mais de mil programas de residências.

Para as unidades da UFRJ, serão contratados 1.243 funcionários que vão trabalhar em regime CLT. Está nos planos da empresa substituir, a curto prazo, os cerca de 800 funcionários extraquadros e, a longo prazo, com as aposentadorias, todos os servidores concursados por celetistas.

O novo modelo de contratação e a incerteza de como ocorrerão as substituições são criticados pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação da UFRJ. Ao longo da última década, parte do corpo acadêmico se posicionou contra a chegada da empresa pública, que somente ano passado conseguiu um acordo para assumir as unidades da UFRJ por 20 anos. Há 42 anos, no Clementino Fraga Filho, a técnica de enfermagem e coordenadora do sindicato Laura Gomes diz que teme pelo futuro dos profissionais que serão substituídos.

Um manifesto foi entregue pelo sindicato durante a coletiva. O Sintufrj (Sindicato dos GTrabalhadores em Educação da UFRJ) reforçou sua posição contra o modelo de gestão da Ebserh:

“Destacamos que a nossa luta não é contra os colegas que fizeram concursos para a empresa. Muito pelo contrário, queremos saudar todos e todas. No entanto, questionamos o porquê de não ter concurso pelo RJU pela mesma carreira que lutamos para aprimorar?”, questionava um trecho do manifesto.

Com informações de O Globo. 

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