Nova geração de formandos na USP revela que notas de cotistas foram equivalentes à média geral

Em grandes universidades públicas brasileiras, a comparação dos boletins dos estudantes mostra que os alunos que entraram nos cursos por meio de cotas raciais ou de benefício a egressos de escolas públicas tiveram notas equivalentes às dos alunos que entraram pelo método normal de avaliação. Em vários casos, o desempenho dos cotistas foi melhor do…

Em grandes universidades públicas brasileiras, a comparação dos boletins dos estudantes mostra que os alunos que entraram nos cursos por meio de cotas raciais ou de benefício a egressos de escolas públicas tiveram notas equivalentes às dos alunos que entraram pelo método normal de avaliação. Em vários casos, o desempenho dos cotistas foi melhor do que a média. Agora, um estudo amplo junto à USP comprova que a diferença de desempenho é irrisória.

Veja a reportagem da Folha:

 Na formatura da primeira turma da Universidade de São Paulo desde a implementação da política de cotas para estudantes de escolas públicas e para pretos, pardos e indígenas, uma pesquisa inédita obtida revela que o desempenho dos cotistas foi pouco inferior ao dos demais alunos e melhorou progressivamente ao longo do curso, tornando a distância entre as notas cada vez menor.

O estudo acompanhou por quatro anos as notas dos cerca de 11 mil ingressantes da capital paulista de 2018, quando começou o programa de cotas. 

De acordo com a pesquisa sobre o desempenho desses alunos, mesmo nas faculdades mais concorridas, a distância máxima entre os oriundos de escolas públicas e os de particulares foi de 1,2 ponto na mediana das notas, de 0 a 10. A mediana é a nota central de cada grupo — 50% dos alunos estão acima dessa marca e os outro 50%, abaixo.

Essa diferença de 1,2 ponto se deu no 1º semestre de 2018. Já no 2º semestre de 2019, ou seja, no último boletim pré-pandemia, a distância havia sido reduzida para menos de um ponto, 0,9 na média. No fim de 2021, após quase dois anos de aulas online, foi de 0,7.

No início do programa de cotas da USP, em 2018, foram reservadas 37% das vagas de cada uma das unidades, que normalmente oferecem mais de um curso. A inclusão se ampliou de forma gradual, anualmente, e atingiu a meta final em 2021, quando 50% de cada curso e turno foram reservados para alunos de escolas públicas e, dentro desse conjunto, 37,5%, destinados a pretos, pardos e indígenas (PPI) — a porcentagem de 37,5 % equivale à proporção dessa população no estado, mas, como é aplicada na cota de 50%, ficam garantidas para alunos PPI 18,75% de todas as vagas da USP.

A pesquisa sobre o desempenho dos alunos foi realizada pelo Centro de Estudos da Metrópole, ligado à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e sediado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP) e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Intitulada Ações Afirmativas no Ensino Superior Brasileiro, é divulgada em um momento especialmente acalorado do debate.

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