Rio foi exemplo para o Brasil. Garotinho foi precursor na implantação da política de cotas

O Rio de Janeiro é precursor na adoção de política de cotas raciais para o acesso ao ensino público universitário. A democratização do modelo foi iniciativa do governador Anthony Garotinho, em 2001, muito antes de o Governo Federal definir uma diretriz nacional para o assunto. A implantação ocorreu somente em 2003, já no governo de…

O Rio de Janeiro é precursor na adoção de política de cotas raciais para o acesso ao ensino público universitário. A democratização do modelo foi iniciativa do governador Anthony Garotinho, em 2001, muito antes de o Governo Federal definir uma diretriz nacional para o assunto. A implantação ocorreu somente em 2003, já no governo de Rosinha, porque o projeto de lei do executivo, aprovado pela Alerj, teve sua constitucionalidade questionada no STF pelo deputado Rodrigo Maia, à época no PFL. Somente após a solução do imbróglio jurídico, pode ser definitivamente implantado.

Na Uerj,  entre 2003 e 2020, de todos os alunos que entraram na universidade por meio de vestibular, 30% (27,3 mil) eram cotistas.

“Hoje em dia, não dá para pensar na Uerj sem o sistema de reserva de vagas. Foi um modelo que tornou a universidade mais plural, mais colorida, e acabou mostrando para aqueles que eram contra que em nenhuma medida as cotas reduzem a excelência acadêmica”, disse Lodi.

“Desde que as cotas foram implementadas, a Uerj só sobe nos rankings nacionais e internacionais de excelência”, afirmou o reitor.

Em 2018, uma lei prorrogou a reserva de vagas por mais 10 anos para as universidades públicas estaduais.Houve a inclusão de quilombolas, além de pretos e pardos, e foram estabelecidos percentuais de:

20% das vagas reservadas para negros, indígenas e alunos oriundos de comunidades quilombolas;

20% das vagas para alunos oriundos de ensino médio da rede pública, seja municipal, estadual ou federal;

5% das vagas reservadas a estudantes com deficiência, e filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.

De acordo com dados de relatório estatístico elaborado pela Uerj, do total de cotistas, 11,6 mil entraram por meio do sistema e 14,8 mil vieram de escolas da rede pública.

Dados do relatório da Uerj mostram que, proporcionalmente, 42% dos alunos cotistas concluíram seu curso, enquanto apenas 30% dos que entraram por ampla concorrência se formaram.

Entre os 32,1 mil estudantes que já se formaram na Uerj, 11,6 mil (36,3%) eram cotistas.

Bruno Bordieu, cotista da Uerj formado em 2018 em ciências sociais, afirma que as dificuldades de permanência na faculdade vão além das questões acadêmicas e financeiras.

“Um processo que quase todo mundo relata é que durante a graduação ocorre uma série de desgastes, de distanciamentos e embates com a família. Esse desencontro é muito duro para as pessoas. A dificuldade de você chegar e falar das suas conquistas com seus pais e eles não entenderem”, afirma Bruno. “A entrada na universidade, para boa parte de nós, negros, representa muito mais do que uma aquisição de conhecimento ou formação. É de fato uma formação humana, uma transformação do que somos. E como grande parte é o primeiro da família a estar nesse ambiente, muitas vezes isso gera conflitos familiares. Eu pensei em desistir em vários momentos. Demorei 8 anos para me formar por causa disso também”, completa o professor,

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