O mercado financeiro voltou a reduzir as projeções para a inflação brasileira, consolidando uma tendência observada ao longo das últimas semanas. No último Boletim Focus do ano, divulgado pelo Banco Central, os analistas revisaram para baixo, pela sétima semana consecutiva, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2025 e, pela sexta vez seguida, a projeção para 2026.
A expectativa para a inflação de 2025 recuou de 4,33% para 4,32%. Para 2026, a estimativa passou de 4,06% para 4,05%. Os números representam uma melhora significativa em relação às projeções feitas ao longo do último ano. Na pesquisa divulgada em 27 de dezembro de 2024, por exemplo, o mercado estimava que o IPCA encerraria 2025 em 4,96% e 2026 em 4,01%. No auge das preocupações inflacionárias, em março, a projeção para 2025 chegou a 5,68%.
Alimentos ajudam a segurar a inflação
O comportamento dos preços ao longo do ano surpreendeu positivamente, sobretudo no grupo de alimentos. A inflação desse segmento deve fechar em torno de 1,9%, ajudando a conter o avanço do índice geral. Apesar do alívio observado em 2025, analistas avaliam que o cenário não tende a se repetir com a mesma intensidade em 2026, quando a inflação deve seguir sob controle, mas sem o mesmo desempenho benigno registrado neste ano.
Projeções para o crescimento do PIB
As estimativas para a atividade econômica também foram revisadas. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 subiu de 2,01%, registrada em dezembro de 2024, para 2,26% no boletim mais recente. O avanço foi de 0,10 ponto percentual apenas nas últimas quatro semanas, refletindo uma percepção mais favorável sobre o desempenho da economia.
Para 2026, no entanto, o mercado manteve as previsões inalteradas. Tanto no boletim atual quanto no de dezembro do ano passado, a expectativa é de crescimento de 1,80%, indicando uma desaceleração em relação ao ritmo projetado para 2025.
Dólar encerra ano abaixo do esperado
No câmbio, a projeção para a cotação do dólar teve a segunda alta consecutiva, mas ainda assim encerrou o ano em patamar inferior ao estimado anteriormente. A expectativa para o fechamento de 2025 ficou em R$ 5,44, bem abaixo dos R$ 5,96 projetados no último boletim do ano passado.
Para 2026, a previsão indica que a moeda americana termine o ano cotada a R$ 5,50. Em dezembro de 2024, o mercado esperava um dólar mais pressionado, próximo de R$ 5,90.
Juros permanecem elevados
Já em relação à taxa básica de juros, o mercado ajustou as expectativas para cima. A Selic, que era estimada em 14,75% ao fim de 2025, acabou fechando o ano em 15%. Para 2026, a projeção também subiu em comparação com as estimativas feitas um ano antes: a expectativa atual é de juros em 12,25%, contra 12% previstos em dezembro de 2024.
O conjunto de projeções indica um cenário de inflação mais controlada e crescimento econômico moderado, mas ainda com juros elevados e câmbio pressionado, refletindo os desafios fiscais e monetários que permanecem no horizonte da economia brasileira.






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