Dados do Sistema Alerta Rio mostram um setembro alarmante em relação à seca: na primeira quinzena do mês neste ano choveu 97,8% a menos no município do Rio do que no mesmo período de 2023. Do dia 1º até o dia 15 deste ano, a média de chuva foi de 0,5 mm de chuva contra a média de 23,4 mm em 2023. Segundo o Climatempo, nesta segunda-feira há previsão de chuva à noite na cidade, de 0,9 mm.
César Soares, meteorologista do Climatempo, afirma que 0,5 mm de chuva é equivalente a “nada”:
— Praticamente não choveu. E o início da primavera será muito quente e sem chuva. A chuva só volta em novembro, no final da primavera. Já estamos vendo o período de secas extremas. São as mudanças climáticas, das quais falávamos há 30 anos. A gente tem que começar a agir.
A ausência de chuvas — não só na capital — tem causado redução na disponibilidade hídrica do manancial utilizado para captação e tratamento de água em diversas cidades do Rio. Os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana estão em estágio de alerta por conta da estiagem. Nesta segunda-feira, o governador Cláudio Castro anunciou uma série de medidas para conter a crise hídrica. Pelo menos 2 milhões de pessoas já são afetadas pela estiagem na área atendida pelo sistema Imunana-Laranjal, que atende São Gonçalo, Itaboraí, Niterói e parte de Maricá.
As queimadas e seus efeitos
Junto com a estiagem, o Estado do Rio vem sofrendo também com as queimadas. De acordo com o professor José Marcus Godoy, membro da Câmara Técnica de Meio Ambiente do Conselho Regional de Química (CRQ-III), a fumaça gerada por elas é traiçoeira por conter partículas de componentes que penetram nos pulmões e até mesmo na corrente sanguínea.
— É uma material particulado, de caráter não local. Ele se espalha. Então, mesmo que se esteja numa reunião onde não há uma queimada, existe o risco de haver, por exemplo, chuva nega. É o que estamos vendo hoje — afirmou ele.
De acordo com Godoy, a chuva negra cai e segue para os rios, que ficarão enegrecidos durante um tempo:
— Nesse cenário pode haver, por exemplo, mortandade de peixes.
Para o professor, o cenário visto, hoje, é de “desastre”.
—Era todo mundo muito criticado quando começamos a falar em queimadas. Achavam que nunca chegaríamos no que está acontecendo. E estamos vivendo isso. Essa angústia. Faltam campanhas de prevenção e conscientização — frisou ele.
Com informações do GLOBO.





