IBGE fará inédito censo nacional da população em situação de rua e inicia testes ainda este ano

Levantamento terá metodologia com participação de pessoas que já viveram nas ruas; primeiros resultados estão previstos para 2028

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai realizar, pela primeira vez, um censo nacional voltado à população em situação de rua no país. A iniciativa inédita começa a ganhar forma ainda em 2026, com abordagens experimentais previstas para agosto, enquanto a divulgação dos primeiros resultados está programada para ocorrer a partir de 2028.

A metodologia do estudo foi apresentada nesta terça-feira (28), no Centro de Atendimento Integrado às Pessoas em Situação de Rua, no Centro do Rio. O projeto traz como diferencial a participação de pessoas que já viveram ou ainda vivem nas ruas, numa tentativa de ampliar a confiança dos entrevistados e melhorar a qualidade das informações coletadas.

Metodologia busca ampliar alcance do levantamento

Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, o censo vai além da contagem tradicional e pretende identificar diferentes formas de ausência de moradia fixa. “A ausência de endereço fixo não significa exclusivamente a pessoa que está na rua. Pode incluir quem dorme em automóveis ou utiliza abrigos”, explicou.

Um teste piloto realizado em Niterói ajudou a embasar a nova abordagem. A expectativa é que o levantamento consiga mapear com mais precisão uma população considerada de difícil mensuração, justamente por seu caráter itinerante e pela diversidade de situações.

O evento contou com a participação de representantes de movimentos sociais, órgãos municipais e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), que deve colaborar com dados já disponíveis. De acordo com o desembargador Marco Aurélio Bezerra de Melo, cerca de 200 pessoas são atendidas diariamente no centro onde ocorreu o lançamento.

Dados devem orientar políticas públicas

A proposta do censo é subsidiar políticas públicas mais eficazes voltadas à população em situação de vulnerabilidade. “O que se quer é um diagnóstico para construir prognósticos e resgatar a cidadania dessas pessoas”, afirmou o magistrado.

No Rio de Janeiro, dados da prefeitura indicam que, em 2024, havia 8.195 pessoas vivendo nas ruas. O número evidencia a dimensão do desafio enfrentado pelas autoridades e reforça a necessidade de um levantamento nacional detalhado.

Para Flávio Lino, secretário-executivo do Movimento Nacional da População de Rua no estado, a iniciativa é essencial para dar visibilidade a esse grupo. Ele destaca que essas pessoas possuem identidade e direitos, mas muitas vezes permanecem invisíveis para a sociedade.

“A sociedade precisa saber quem são essas pessoas, o que elas precisam e como acessar políticas públicas. O censo pode abrir os olhos do país para essa realidade”, afirmou. A expectativa é que o estudo contribua para tornar mais eficazes as ações de inclusão social em todo o Brasil.

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