No Guanabara, Ricardo Couto tira bandeira do Flamengo, leva a do Botafogo e evita assinar atos oficiais

Governador interino do Rio adota postura protocolar no Palácio Guanabara, evita atos oficiais e cumpre mandato temporário após vacâncias na linha sucessória

2–3 minutos

Se nada premente e inescapável acontecer, o governador em exercício, presidente do TJ e desembargador Ricardo Couto, não deve assinar qualquer documento oficial durante a interinidade. Nem mesmo na sanção de uma lei de conteúdo simbólico — como sugerido por Cláudio Castro — ele se dispõe a apor a assinatura. Discreto à última potência, limitar-se-á a cumprir um protocolo minimalista no cargo, uma atuação estritamente protocolar.

Na sexta-feira, esteve no Palácio Guanabara em conversa com o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione — candidato do governador ao mandato-tampão nas eleições indiretas da Alerj. Por cerca de 40 minutos, inteirou-se das questões centrais da gestão – talvez já de olho numa provável volta ao cargo em abril, caso se confirme a esperada renúncia de Castro para disputar o Senado – e logo se despediu.

Sai Flamengo e entra Fogão

Mais do que o peso do próprio cargo, o incomodou visivelmente a bandeirola do Flamengo, time de Castro, exposta à mesa. Fez questão de retirá-la antes das fotos. E anunciou que levará uma do Botafogo, sua paixão nos gramados,  para a mesa de despachos na segunda-feira, quando retornará ao Guanabara.

Nicola Miccione e Ricardo Couto

Linha sucessória

A assunção do desembargador ao comando do Executivo decorre da vacância sucessiva na linha de substituição constitucional no Estado do Rio de Janeiro. O vice-governador, Thiago Pampolha, renunciou ao cargo para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), enquanto o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, foi afastado de suas funções por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Com a impossibilidade de ambos exercerem a substituição, coube ao presidente do Tribunal de Justiça assumir interinamente o governo, conforme prevê a Constituição estadual.

De olho no STJ

Nome com credenciais para ocupar uma cadeira no STJ, Couto é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pós-graduado pela Universidade de Coimbra. Ingressou na Magistratura em 1º de setembro de 1992, tendo atuado na Vara de Família de São João de Meriti e na 3ª Vara Cível de Niterói, até ser promovido, em fevereiro de 1993, por merecimento, para a Vara de Infância e Juventude de São Gonçalo. Trabalhou, ainda, na Capital, em varas cíveis, criminais e de família.

Promovido a desembargador em 14 de fevereiro de 2008, se efetivou na antiga 7ª Câmara Cível, atual 4ª Câmara de Direito Público. Na segunda instância, foi membro do Conselho da Magistratura em duas gestões, atuou no Fundo Especial em quatro administrações e presidiu a Mútua dos Magistrados de julho de 2021 a fevereiro de 2025. Foi ainda membro do Conselho da Escola da Magistratura do Estado do Rio (Emerj) em cinco gestões, sendo coordenador acadêmico de Direito Administrativo e professor palestrante da escola, além de professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Integrou várias bancas do concurso para ingresso na carreira da magistratura nas áreas de Direito Administrativo, Direito Constitucional e Direito Ambiental.

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