Negacionista e adepto de teorias da conspiração, Robert Kennedy Jr é confirmado secretário de Saúde dos EUA

Novo cargo levanta preocupações em relação a suas visões controversas sobre vacinas

O Senado dos Estados Unidos confirmou, nesta quinta-feira (13), Robert Kennedy Jr. como secretário da Saúde do governo Trump, em uma votação apertada de 52 a 48. Sobrinho do ex-presidente John F. Kennedy e filho do senador assassinado Robert F. Kennedy, Kennedy Jr. é uma figura polarizadora, conhecida por suas opiniões controversas sobre saúde pública e vacinas.

Cético em relação às vacinas e defensor do consumo de leite cru, Kennedy Jr. se destacou por espalhar teorias da conspiração, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Ele afirma que alguns imunizantes estão relacionados ao autismo, uma alegação amplamente desacreditada por estudos científicos. A posse de Kennedy Jr. no cargo o colocará à frente de um orçamento de US$ 1,7 trilhão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos, supervisando agências fundamentais como a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Senadores apontam possível conflitos de interesse

Durante a sua sabatina no Senado, alguns senadores expressaram desconfiança sobre suas opiniões e abordaram o potencial para conflitos de interesse financeiros, especialmente caso ele optasse por modificar diretrizes relacionadas a vacinas. Apesar da pressão, Kennedy insistiu que estava “única e exclusivamente posicionado” para restaurar a confiança nas agências de saúde pública.

A trajetória de Robert Kennedy Jr. é marcada tanto por seus esforços ambientais — como a luta pela limpeza do Rio Hudson em Nova York — quanto pela polêmica em torno de suas posições antivacina. Em 2019, sua própria família criticou suas declarações sobre imunizantes, e em 2022, plataformas como Facebook e Instagram removeram contas de grupos que ele fundou, devido à disseminação de informações falsas sobre vacinas.

Além disso, Kennedy Jr. publicou o livro “The Real Anthony Fauci”, no qual critica o ex-chefe de doenças infecciosas dos EUA, acusando-o de orquestrar um “golpe de Estado histórico contra a democracia ocidental”. Ele se afastou do Partido Democrata em busca de uma candidatura independente às primárias presidenciais de 2024, e, ao desistir de sua campanha, anunciou apoio a Trump, citando questões como o conflito na Ucrânia e a “guerra pelas crianças”. Esta decisão levou a família Kennedy a reafirmar seu apoio à candidata democrata Kamala Harris, revelando ainda mais a divisão que as opiniões de Robert Kennedy Jr. geram, mesmo entre seus próprios parentes.

Com informações do g1

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